11 de agosto: um ano de falecimento de Dom Luíz

Toda família é constituída por vários membros de diferentes gerações. A nossa família religiosa possui essa mesma característica, com membros mais jovens no início do caminho vocacional; outros membros já na fase adulta com vários anos de vida religiosa e comunitária; e, enfim, outros membros mais experientes, semelhantes ao nossos avôs, que dedicaram toda a vida à Ordem dos Agostinianos Descalços.

No dia de hoje, 11 de agosto, relembramos um desses avôs: Dom frei Luíz Bernetti, o qual completa um ano de falecimento. Seus ensinamentos e exemplos ainda permanecem vivos em nossa memória. Agradecemos a Deus o que ele representou ao longo de tantos anos de serviço e dedicação. Com a certeza da ressurreição e da vida eterna, somos conscientes que no Dia sem ocaso reencontraremos esse avô tão especial na história de nossa família religiosa.

Notícia do falecimento de Dom Luíz.

Biografia de Dom Luíz.

Vídeos da Ordenação Episcopal de Dom Frei Luiz:
Vídeo 01
Vídeo 02
Vídeo 03

Venerável frei João de São Guilherme

Venerável frei João Nicolucci de São Guilherme, sacerdote

Nasceu em Montecassiano (Macerata) Itália no dia 15 de julho de 1552. Filho de Francesco Nicolucci e Francesca Piccinotti. Em 1570 entrou na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Após várias experiências em diferentes comunidades religiosas, inclusive como mestre dos noviços, pediu a permissão para retirar-se em um mosteiro. Tinha uma devoção muito especial à Paixão do Senhor e a Nossa Senhora.

No ano de 1621 sentiu-se atraído pela reforma dos Agostinianos Descalços sobretudo pelo voto de humildade, a radicalidade e fidelidade que viviam os frades.  Entrou a fazer parte desta Ordem em Battignano, diocese de Grosseto (IT). Foi agostiniano descalço por poucos meses, de maio até agosto quando veio a falecer. Deste dia em diante muitas pessoas se aproximaram dos seus restos mortais que se encontram em Grosseto para pedir graças pela sua intercessão. Dado estes fatos já em 1625, deu-se início à causa de beatificação recolhendo todos os testemunhos da sua fama de santidade. No ano 1771 foram aprovadas as virtudes, passando a ser reconhecido como venerável.

A sua vida se resume em três palavras: penitência, oração e apostolado. Um ótimo exemplo para os religiosos e leigos dos nossos tempos. Sua fama de santidade começou a se propagar em todos os lugares por isso mesmo sentiu a necessidade de fugir deste tipo de orgulho humano e escolheu viver no eremitério. As pessoas acorriam a ele atraídos pela sua espiritualidade e, sobretudo pela sua humildade. Padre Giovanni foi um homem completamente apaixonado por Deus, sua oração preferida era a contemplação do amor de Deus.

É valioso o testemunho do Bispo de Grosseto, Júlio Sansedoni: “Eu tenho toda certeza que não se encontra em seu tempo um Capuchinho, Agostiniano, Eremita, que tenha vivido assim como ele, em uma extrema austeridade a sua comunhão com Deus”. A sua união com Deus era muito forte sobretudo na contemplação que nem mesmo se dava conta dos sacrifícios. Caminhava sempre com os pés descalços. Viveu fortemente a espiritualidade de monge com uma rejeição total das coisas do mundo. O seu eremitério era muito rustico, pobre, simples, possuía apenas alguns livros e seus escritos. Preferia sempre usar um abito mais velho. Tudo o que as pessoas lhe davam como presente, logo fazia doação aos mais pobres. Portanto, era grande a generosidade que nascia no seu interior. Não tinha nem mesmo o necessário para viver bem. Recusava ser acolhido nos lugares onde reinava a abundância, preferindo sempre uma vida junto com os pobres. Na sua vida foi um homem das periferias. Deu preferência aos lugares e pessoas simples, mesmo que tivesse um bom relacionamento com as grandes personalidades que buscavam os seus conselhos. Frei João foi, portanto, um grande educador e promotor da caridade. Dispensou sua atenção não somente para com os pobres, mas também aos presos e aos doentes. Visitava muito as pessoas doentes. Em uma das cidades por onde passou, restaurou e fez funcionar novamente o hospital da cidade e providenciou tudo para o seu funcionamento.

A sua contemplação o levava a sentir as necessidades dos que mais precisavam e com o coração cheio de Deus mergulhava no apostolado. Mesmo amando a contemplação, estava sempre pronto a atender quem o chamava. O sofrimento humano repercutia fortemente dentro do seu coração, que chorava muito ao ver a dor dos outros. Por isso, a Diocese de Grosseto, durante o ano da misericórdia, o apresentou como modelo de sacerdote misericordioso, que sofria com as dores do próximo, e fazia de tudo para consolar e levar o perdão de Deus a todos. Como um verdadeiro agostiniano descalço foi contemplativo na ação e ativo na contemplação. Tinha um grande ardor missionário, que o impulsionava a levar a Palavra de Deus a todos, sobretudo de pregar a fé católica entre os infiéis e a morrer pela fé se necessário fosse. Sentia isso dentro de si como um grande fogo que ardia no seu coração. Apoiava, incentivava e gostava de ouvir as experiências dos missionários.

Frei João foi um grande mestre que ensinou a todos o caminho da perfeição, sendo exemplo não somente de uma virtude, mas de todas as virtudes que um cristão possa se exercitar. Foi reconhecido como um grande pregador com o exemplo e com a palavra. Quando terminava a celebração, todos o esperavam fora para poder cumprimenta-lo e receber uma benção especial. Muitas vezes fez a sua pregação em várias igrejas de Roma com a participação da Cúria Romana. Conta-se que durante a sua evangelização, muitos foram os milagres, exorcismos, conversões. Estes fenômenos fizeram aumentar ainda mais a sua popularidade de modo que por onde passava eram muitas as pessoas que desejam receber através da sua palavra, a Palavra de Deus.

A grande mensagem que este Venerável nos transmite é de uma imitação radical do próprio Cristo. Viveu intensamente a virtude da humildade, fugindo da fama, da gloria e dos rumores do mundo, na penitência, e na oração, com um fervor dentro de si, e um profundo amor para com o Senhor e os irmãos, especialmente os abandonados e indesejados. Foi um homem completamente apaixonado por Deus.

Servo de Deus frei Luis Chmel

Servo de Deus frei Luis Chmel, religioso

Frei Luis Chmel nasceu aos 17 de outubro de 1913, em Spisska Starà Vês, na Eslováquia. Filho de João e Inês Kurpiel. Seu nome de batismo era André Kurpiel. Passou sua infância enfrentando muitas dificuldades, porque seu pai, assim que começou a primeira guerra mundial, foi chamado para o exército austro-húngaro e combateu na fronteira polonesa, russa e italiana (1914-18). Do terceiro ano e até o fim do 2° grau ele morou na pensão católica “Bursa”, dirigida por um sacerdote polonês, o Professor Miguel Kania, grande educador. Este plasmou a inteligência e o coração de André, acompanhando-o nos estudos e em sua formação interior. Foi seu professor de religião e de introdução à filosofia. Pe. Miguel, seu primeiro diretor espiritual, foi quem o orientou com muita sabedoria na vida interior e na escolha da sua vocação. No dia 17 de junho de 1933, André terminou o 2° grau conseguindo com sucesso o diploma.

André estava já pronto para deixar tudo e seguir Jesus, dedicando-se ao serviço do Senhor. Ingressou no seminário da Ss. Trindade de Lnare, no dia 5 de setembro de 1935, e ali encontrou um ambiente apto para realizar suas aspirações. Depois de alguns meses partiu para a Itália no dia 8 de dezembro de 1935.  No dia 24 de dezembro já iniciou o noviciado recebendo o hábito religioso e mudando seu nome para Frei Luis da Imaculada. O mestre dos noviços, Frei Luis Torrisi, compreendeu imediatamente a profunda espiritualidade do jovem e sua vontade decidida de percorrer até o fim, o caminho da santidade. Seu comportamento como noviço revelava uma alma humilde, absorvida em Deus, disponível a cumprir a sua vontade.

Alguns dias antes de terminar o noviciado, o Servo de Deus expressou humildemente ao mestre o desejo de mudar seu nome religioso, para: Frei Luis Maria de Jesus Crucificado. Quando foi interrogado sobre o motivo da mudança de nome, respondeu com um sorriso: “Agora com todo o coração posso dizer junto ao Apóstolo: Vivo eu? Já não sou eu; na verdade é Cristo que vive em mim!!! E disse ainda: “O meu lema na vida religiosa será: Por Maria, com Maria e em Maria até Jesus, que foi obediente até a morte, e morte de cruz e do qual devo ser seguidor: por isso mudei meu nome religioso, com a autorização dos superiores”. No Natal de 1936 consagrou-se ao Senhor com os votos de obediência, pobreza, castidade e humildade. Este último voto é expressão do carisma próprio dos Agostinianos Descalços.

Após o noviciado começou seus estudos em preparação ao sacerdócio. Porém, no início de 1938, começou a sentir dores nas costas: eram os primeiros sintomas da doença que o levou à morte. Conseguiu igualmente acabar o ano letivo, mas no ano seguinte as dores se intensificaram e teve que suspender seus estudos. Os exames clínicos revelaram um câncer na tiroide, pelo que foi necessário interná-lo no policlínico “Rainha Helena” de Roma.

E assim, rezando dia e noite, e oferecendo o seu grande sofrimento pela salvação da humanidade, o santo jovem esperava a chegada do Senhor. Nos últimos dias pôde participar da Santa Missa celebrada, por uma especial autorização, em seu quarto, e recebeu com muita piedade a Eucaristia: junto com Jesus, de mãos cruzadas no peito, renovou o dom de si mesmo ao Senhor. No dia 16 de agosto de 1939, às 13:15 horas, após de ter recebido os sacramentos, descansou no Senhor. As suas últimas palavras foram: “Jesus por ti! Nas tuas mãos Senhor, confio o meu espírito”. Frei Luis Maria Chmel do Ss. Crucifixo é um exemplo atual de vida cristã e agostiniana, que pode ajudar, sobretudo os jovens a darem sua pessoal resposta evangélica. Frei Luis lembra a todos o sentido mais profundo da vida com as maravilhosas palavras de Sto. Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não repousar em Ti!” (Confissões 1,1,1).


Frases do Frei Luis Chmel

Com muito fervor e humildade agradeço ao Onipotente porque estou bem de saúde e feliz na Ordem. Já passou um ano desde que, com a ajuda de Deus, entrei no seminário. Glória ao Senhor por me haver chamado para a Ordem. Como sou contente! (Seminário Santa Maria Nova, 5.9.1936, ao Prior de Lnare).

Agradeço a Deus com muito fervor porque estou bem, e porque me acostumei bem a essa terra italiana, mas não a tudo. Sou feliz porque aqui tenho a possibilidade de conhecer a verdadeira estrada da perfeição, que é tão necessária para um religioso. A imundícia deve ser eliminada do mundo “para que sejais um só coração e uma só alma em Deus. (Seminário Santa Maria Nova, 8.2.1936, ao Prior de Lnare).

6º Capítulo Provincial da Itália

No último dia 10 de julho, o Prior Geral frei Doriano deu início ao 6º Capítulo Provincial da Província Mãe do Bom Conselho, dos Agostinianos Descalços da Itália. Os padres capitulares estiveram reunidos na Comunidade de Santa Maria Nuova, na pequena cidade de San Gregorio da Sassola, próxima de Roma.

O objetivo principal do Capítulo é analisar o atual estado da Província e programar as atividades para os próximos três anos. O último ato do Capítulo é a eleição do Conselho provincial, responsável por colocar em ato as decisões capitulares. Frei Salésio Sebold, sacerdote brasileiro que há vários anos integra a Província da Itália, foi eleito Prior Provincial, o qual terá a colaboração dos quatro Conselheiros Provinciais: fr. Angelo Grande, fr. Giuseppe Spaccasassi, fr. Jan Derek e fr. Claudio Bonotan.

Abaixo a foto da Missa de abertura do 6º Capítulo Provincial.

Oração do Ano da Santidade

Deus Trindade,
Pai misericordioso, Filho amoroso,
Espírito de comunhão, neste ano da santidade
queremos fazer memória dos inúmeros benefícios e graças
semeados desde sempre em nossos corações
e em nossas comunidades religiosas e paroquiais.

Queremos deixar-nos seduzir e atrair pelo fascínio de tua misericórdia
para amar-Te sempre mais e permitir que Teu amor
renove, transforme e dê um novo brilho à nossa vida.

Nosso querido e santo pai Agostinho nos pede:
“Ama e faze o que quiseres”;
como gostaríamos que de um coração que ama
brotassem somente palavras, gestos e iniciativas boas,
porque Tu nos queres santos no amor.

A Ti renovamos nosso desejo de amar-Te e servir-Te
nos outros e os outros em Ti, em espírito de humildade, na alegria.
Confiamos na intercessão da Virgem da Graça,
do Santo Pai Agostinho e de nossos Veneráveis. Amém.


Santos no amor…

Alguns modelos de santidade

O ano de 2018 é um momento especial para toda a Ordem dos Agostinianos Descalços, um período de reflexão sobre a chamada divina à santidade. O Prior Geral frei Doriano Ceteroni estabeleceu o Ano da Santidade entre os dias 18/2 e 13/11 para todas as comunidades da Ordem. Abaixo segue a biografia de alguns confrades agostinianos descalços que se destacaram na vivência da santidade.


Santos no amor…

Roteiro das relíquias

Uma das atividades promovidas pela nossa Província, ao interno do Ano da Santidade, é a visita das relíquias agostinianas às nossas comunidades. O Secretário Geral frei Luiz Tirloni trouxe consigo as relíquias de santo Agostinho, santa Mônica e santa Rita, iniciando um percurso devocional pelas várias comunidades. Eis o roteiro.

  • 3-10/7: Comunidade Santo Tomas de Vilanova, Ourinhos (SP).
  • 10-17/7: Comunidade Frei Angelo Carú, Nova Canaã do Norte (MT).
  • 17-24/7: Comunidade Nossa Senhora do Bom Conselho, Colíder (MT).
  • 24-31/7: Comunidade Nossa Senhora da Consolação, Nova Londrina (PR).
  • 1-7/8: Comunidade Santa Mônica, Toledo (PR).
  • 7-14/8: Comunidade Santo Ezequiel Moreno, Iguazú – Paraguai.
  • 14-21/8: Comunidade Frei Antonio Desideri, Villa Eliza – Paraguai.
  • 21-29/8: Comunidade Santo Agostinho, Ampére (PR).
  • 29/8-4/9: Comunidade Frei Luiz Chemel, Araucária (PR).
  • 4-11/9: Comunidade São Nicolau de Tolentino, Pavuna/Rio de Janeiro (RJ).
  • 11-18/9: Comunidade Nossa Senhora da Conceição, Bom Jardim (RJ).
  • 18-25/9: Comunidade Santa Rita, Ramos/Rio de Janeiro (RJ).
  • 25/9-2/10: Missão em Salvador (BA).

Santos no amor…

Proclamação do Ano da Santidade

O ano de 2018 é um momento especial para toda a Ordem dos Agostinianos Descalços, um período de reflexão sobre a chamada divina à santidade. O Prior Geral frei Doriano Ceteroni estabeleceu o Ano da Santidade entre os dias 18/2 e 13/11 para todas as comunidades da Ordem. Abaixo segue o Decreto de Proclamação do Ano da Santidade.


Santos no Amor

Queremos nos deixar inspirar pelas palavras de Paulo: “Bendito seja Deus, Pai do Senhor nosso Jesus Cristo que nos abençoou com toda benção espiritual nos céus em Cristo.  Nele nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados a seus olhos no amor” (Ef 1,3). O Senhor nos quer: “santos no amor”, porque Ele é Amor, é comunhão.

Nossa Regra, tradução no cotidiano do Evangelho, inicia assim: “Antes de mais, amem a Deus e depois ao próximo”. Nossas Constituições nos lembram: “… nós Agostinianos Descalços nos propomos, com a ajuda da graça, de alcançar a perfeição do amor evangélico… (Const. 3)”. “Respondendo à vocação do celibato na vida religiosa, nós realizamos a plenitude do amor que Cristo viveu e transmitiu…(Const. 29)”.

Portanto, nossa vocação à santidade, ou, se preferimos, à perfeição consiste em crescer a cada dia na capacidade de amar, ou seja, assemelhar-nos sempre mais àquele que é Amor. Não se trata de “um” projeto, mas “do” projeto sonhado por Deus. Se falharmos nisto, teremos fracassado na nossa vida religiosa. Por isso Santa Teresinha do menino Jesus afirmava com vigor: “Ou santos, ou nada”.

A experiência nos ensina, porém, que a intensidade de nosso amor a Deus depende da experiência pessoal e profunda que tivermos feito de seu amor para conosco. Nosso amor, de fato, será sempre a resposta a um amor que nos precedeu, a um amor recebido e acolhido. É impossível amar se não nos darmos conta do quanto fomos e somos amados a cada momento. Sentir-se amados precede o amar e por isso constitui o elemento fundante que faz brotar o amor. “Nisto consiste o amor: não fomos nós a amar a Deus, masfoi ele que nos amou primeiro e enviou seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados (1Jo 4, 10)”.

Portanto, é muito oportuno proclamar o ano de 2018 como “Ano da santidade” para a nossa Ordem e para quantos estão envolvidos conosco. Terá início no dia 18 de fevereiro de 2018, primeiro domingo de Quaresma e seu fim no dia 13 de novembro de 2018, aniversário do S. P. Agostinho e Festa de todos os Santos da Ordem. Convido a cada comunidade religiosa e paroquial a encontrar formas criativas para celebrar estas duas datas.

Um estímulo particular é nos oferecido pelos diversos processos de nossos Veneráveis que estão sendo levados adiante (fr. João Nicolucci, fr. Carlos Jacinto, fr. Luis Chmel, fr. Santo de Santo Domingos, Paola Renata Carboni) e, especialmente, o Reconhecimento do corpo do Servo de Deus Fr. Luigi Chmel, exigido pela Congregação dos Santos.

O Definitório geral apresentará algumas propostas concretas em nível de Ordem, que se espera sejam viáveis. Presença Agostiniana dará seu suporte a esta bela iniciativa.

Roma, 18 de janeiro de 2018.


Santos no amor…

Venerável frei Carlos Jacinto de Santa Maria

Venerável frei Carlos Jacinto de Santa Maria, sacerdote 

Nasceu no dia 5 de setembro de 1658 em Genova, Itália. Filho de Jerônimo e Angela Sanguineti. Seu nome civil era Marino. Nosso Senhor reservou algo muito especial a esse menino. Não faltou na sua vida a continua presença das graças divinas.

Em 1674, após participar de uma procissão de Corpus Christi, sentiu-se atraído pelo exemplo dos frades Agostinianos Descalços, e decidiu procurá-los. Após alguns meses, no dia 15 de agosto, vestiu o hábito religioso e recebeu o novo nome: Carlos Jacinto de Santa Maria.

Durante o noviciado se mostrou muito devoto de Nossa Senhora. Os demais noviços o chamavam de parente de Nossa Senhora. Muitas vezes Maria lhe fazia a sua visita, mostrando a ele Jesus para que o beijasse. Aos poucos foi tomando consciência que sua missão era difundir a devoção mariana. Teve a visão de construir um santuário dedicado a Nossa Senhora.

O Venerável Padre Carlo Giacinto foi um Apostolo de Nossa Senhora, usando especialmente três meios: a palavra, os escritos e o Santuário da Madoneta.

Dizia ele: “a língua do sacerdote deve ser um sino que convida a louvar a grande Rainha; deve ser um instrumento musical que sempre toca cantos de amor a Mãe de Nosso Senhor”. Foi um grande pregador. Ajudou muitas pessoas a se encontrarem com Deus, através da conversão, pacificação e reconciliação com os irmãos. Esses frutos divinos, ele atribuía a intercessão da Virgem Maria.

Outro meio que o Venerável usou para propagar a devoção a Nossa Senhora, foi através dos seus escritos. Ele escreveu certa vez: “a minha caneta é a caneta de um escrivão de Maria”. Escreveu sobre a missão de Maria no plano da redenção humana. Apenas citamos dois de seus vários escritos: “Mater Amabilis” 1710, contém um pensamento para cada dia do ano, para despertar nas pessoas o desejo de amar sempre mais a Virgem Maria, e “Exercícios práticos para um verdadeiro devoto da Virgem Maria”.

Mas o seu maior apostolado está ligado ao Santuário da Modonnetta (Pequena Nossa Senhora) em Genova. A construção foi uma verdadeira inspiração divina. Através de uma visão Carlos descreveu como deveria ser o santuário dedicado a Maria: “com muitos altares e imagens, mas sobretudo uma na capela dedicada a Maria, e com muitas pessoas presentes aos seus pés que se aproximavam para receber as graças de Deus por intercessão da Virgem Maria”. Muitas vezes ele se dirigia ao local em que a visão apontava onde deveria ser o santuário, e ali rezava. Depois de muitas mortificações obteve a permissão para iniciar a construção. Isso aconteceu na vigília da festa da Anunciação no dia 23 de março de 1695. Os trabalhos de construção iniciaram-se em 4 de maio de 1695 e no dia 15 de agosto de 1697 festa da Assunção de Nossa Senhora foi inaugurado o novo santuário dedicado a Nossa Senhora. Nós vimos um milagre exclama um dos religiosos. Foi construído sem recursos materiais em menos de 15 meses. A Providência não faltou em nenhum momento. O Santuário foi construído com a intenção de levar as pessoas a se encontrarem com Deus por meio de Nossa Senhora. Na oração de consagração do santuário a Maria, o Venerável pede que a Mãe de Deus conceda os milagres visíveis e invisíveis. Luz para as mentes, cura do espirito, dos vícios, e outros pedidos feitos a Virgem Maria.

Além da devoção a Virgem Maria, o Venerável viveu o seu grande amor à Eucaristia. Não se pode separar Maria e Eucaristia. Maria nos leva para a Eucaristia.  Esse amor a Eucaristia começou desde quando fez a sua primeira comunhão e foi crescendo sempre mais.  A maneira como celebrava a Santa Missa edificava os presentes. Não deixou nunca de celebrar, mesmo quando as suas forças diminuíam por causa da doença. Passava muitas horas em adoração ao Santíssimo. Em suas pregações falava sempre da importância da Eucaristia em nossas vidas.

Padre Carlos Jacinto enfrentou muitas provações, sejam morais, espirituais e também físicas. Foram muitos anos de provas. Pedia em suas orações de poder participar dos sofrimentos de Cristo Senhor. Experimentou muitas angústias, escuridão, desolação, no mais profundo de sua alma ao ponto de rezar com essa expressão: “luzes e trevas bendizei ao Senhor”. Manteve-se fervoroso e fiel, até mesmo diante dos sofrimentos físicos que os mantinha escondidos, sem que ninguém soubesse. Já no final de sua vida, acolheu com alegria e serenidade a notícia de sua gravíssima saúde e por isso mesmo se preparou com grande fervor para receber os sacramentos. Passava o seu dia em continua oração, mergulhado sempre em Deus. A sua partida para o céu aconteceu no dia 23 de abril de 1721. O seu corpo foi sepultado diante do altar de Nossa Senhora, lugar onde ele muitas vezes rezou, chorou e experimentou as alegrias das suas longas e intimas conversas com Deus e Nossa Senhora.

Um ano depois de sua morte iniciaram o processo de beatificação. Foi o Papa Pio XI que, no ano 1937, reconheceu as suas virtudes heroicas declarando-o venerável.


Santos no amor…

Venerável frei Santo de São Domingos

Venerável frei Santo de São Domingos, irmão religioso

Nasceu na Sicília, Itália, aos 5 de agosto de 1955. Filho de José Di Santo e Paula Berceri. Após 21 anos de casados nasceu esse filho, quase como um sinal do céu. Os pais eram muito devotos, cheios do temor a Deus. Amavam a simplicidade e todas as virtudes. O pai era sapateiro e a mãe dona de casa. Participavam muito da Igreja, sobretudo na adoração e Eucaristia. Na família, existia muita tranquilidade e harmonia, e com a chegada desse novo filho um motivo a mais para agradecer o Senhor. Frei Santo foi batizado um dia após o seu nascimento. Esse foi o início dos planos de Deus.

Ainda quando era criança se percebia nele o espirito de oração e de penitência. Seguindo o exemplo dos pais, começou a rezar todas as orações. Desta maneira começou a receber as primeiras instruções da fé. Não faltou sentimentos de piedade, confiança em Deus, e um grande desejo de fazer o bem. Quem sabe quantas vezes seus pais se perguntaram: o que será deste nosso filho. Os pais sempre pensam no bem dos filhos. Como pais cristãos, jamais pensaram na possibilidade de o filho viver longe do amor de Deus.

Com seis anos começou a trabalhar com o seu pai. Sábio e generoso, tratava as pessoas com bondade e todos estavam contentes pela sua boa maneira de tratar as pessoas. Com o passar dos anos, esse lugar de trabalho tornou-se um centro de vida espiritual. Se falava de coisas religiosas. Era um grande exemplo para todos. Fez a sua primeira comunhão com muito amor e devoção. O encontro com Jesus foi, não somente uma data histórica a ser lembrada para sempre, mas uma realidade para viver cada dia da sua vida com Jesus. De fato ele foi um eterno apaixonado pela Eucaristia.

Com a chegada da maturidade, sentia cada vez mais a necessidade de ajudar as pessoas, principalmente os pobres. Para ele, Jesus estava presente, principalmente, nos pobres. Muitas vezes, se mortificava de alguma coisa, para poder ajudar os mais necessitados. Desta maneira começou a nascer dentro de si o grande desejo de consagrar-se a Deus. Mas de que maneira. Aonde. Os caminhos do Senhor são inúmeros e todos levam para Deus.

Nutria sempre um grande amor a Jesus Crucificado. Contemplava Jesus na cruz, e o seu coração mergulhava neste sofrimento ao ponto de sofrer com Jesus na cruz. Durante o trabalho cantava de memória a oração da manhã da Paixão do Senhor. Ele sofria e amava. Assim se percebia nele uma vocação para a santidade. Quem vive com Deus já possui a chama da santidade. Com a permissão do seu pai, muitas vezes deixava o trabalho para acompanhar o sacerdote quando fazia visita aos doentes. Rezava e confortava os enfermos. Fazia muitos sacrifícios pela recuperação dos sofredores.

Nutria dentro de si, uma grande devoção para com Nossa Senhora. Recitava o rosário todos os dias e considerava Maria como a salvação de sua alma. Todos os dias visitava a Igreja de Nossa Senhora do Carmelo e ali permanecia em profunda oração. Uma vez saindo da visita de uma Igreja disse: “Nossa Senhora roubou meu coração”. Maria foi o seu guia mais seguro durante a sua vida. Foi neste ambiente de fé, trabalho, família, devoção a Maria, amor aos pobres e a Jesus que ele sentiu o chamado de Deus. Desejando consagrar-se a Deus, com 28 anos ingressa na Ordem dos Agostinianos Descalços. Uma escolha madura e por toda a vida. Sentiu muito forte o chamado a consagrar-se justamente numa sexta-feira santa durante o beijo da cruz. Os agostinianos passam a ser sua nova família. Foi acolhido no Convento de Marsala com grande estima da parte de todos os frades.

Entrou no noviciado no dia de Pentecostes, 18 de maio de 1684. Toda a comunidade participa daquele momento em que ele de joelhos diante do Superior implora a “misericórdia de Deus, a cruz de Cristo e a comunidade dos irmãos”. Nesta comunidade, Frei Santo era de exemplo para todos, os mais jovens e mais velhos. Suas virtudes sempre foram exemplares.

Frei Santo foi o servo dos pobres, cheio de amor e generosidade. A pobreza consagrada a Deus, não empobrece o homem, mas o torna ainda mais rico. É o meio necessário para possuir Deus, segundo o pensamento agostiniano. Ele era extremamente rico, porque era verdadeiramente pobre. Fez do amor aos mais pobres seu lema de vida, que viveu por 43 anos. Ele amava sua vocação e pedia sempre de poder ajudar os mais necessitados. Esta era sua missão.
Mas a sua grande vocação foi o amor a Eucaristia. Na Eucaristia Jesus se doa aos homens. Amava o Sacrário. Não existiu momento na sua vida que não fosse orientado por tanto amor. Diante do Sacrário fazia a sua experiência da eternidade e assim cada vez mais se doava completamente. A minha grande alegria é passar as horas de recreação diante do Santíssimo. Dizia ele quando sofria as tentações do diabo: “vou para o lugar onde o inimigo não pode fazer nada”. Recebia a Eucaristia todos os dias. A comunhão cotidiana o fazia cada vez mais forte e dócil a vontade de Deus e ao serviço dos irmãos. Era o alimento necessário para seguir em frente. A Eucaristia o fazia muito feliz e assim encontrava equilíbrio e serenidade para viver sua missão.

A vida de Frei Santo, foi sempre um caminho para a eternidade. Desejava unir-se com Nosso Senhor para sempre. Depois destes anos de consagração a Deus, sentia que a sua alma estava pronta para Deus. Amou todos indistintamente, mas sobretudo Deus. Os sofrimentos e as dificuldades o fizeram amadurecer na disponibilidade e no serviço. Sua obediência foi total. Chegou o tempo de restituir a sua vida, ao autor da vida, Deus. Nunca tivera medo da morte, aliás, um dia enquanto rezava pelos mortos no cemitério, disse: “em breve repousarei aqui”. Passou poucos meses e de fato isso veio a acontecer no dia 16 de janeiro de 1728.

A vida deste religioso consagrado a Deus, não termina aqui. De fato, o povo da sua cidade implorava para que fosse iniciado o processo de reconhecimento das virtudes de Frei Santo. Assim, deu-se início ao processo canônico no dia 12 de junho de 1728, cinco meses depois da sua morte. Foi preciso esperar 160 anos depois da sua morte para que a Congregação declarasse o reconhecimento das virtudes deste homem santo. Isso ocorreu no dia 26 de junho de 1940. A sua causa de beatificação foi retomada em setembro de 1981.

Frei Santo é um exemplo para os homens de hoje. É uma figura que pode ser apresentada nos dias de hoje como um modelo a ser imitado. Na sua terra, Sicília, Frei Santo está muito próximo do seu povo. É amado, querido e lembrado por todos como um religioso exemplar. Viveu o carisma agostiniano com autenticidade, humildade e simplicidade.


Santos no amor…