Carisma

Nossa prioridade é a vida contemplativa. Ela: reúne-nos na interioridade, diante da dispersão exterior porque “o amor da verdade busca a santa quietude”; dispõe ao diálogo sobrenatural com Deus, tanto pessoal como comunitário; torna dóceis às moções do Espírito Santo; induz a viver nossa vida como perene louvor a Deus, pois “a maior obra do homem é somente louvar a Deus”; dispõe ao estudo da Sagrada Escritura e das coisas divinas.

 “A necessidade da caridade exige reto agir”. Por tal motivo, a contemplação agostiniana deve ser ela mesma apostolado fecundo e busca apaixonada de formas pastorais que nos propiciem levar o próximo a louvar a Deus, mediante todos os valores: “Enlevai a todos para o amor de Deus… falando, rezando, discutindo, raciocinando com mansidão, com ternura”. O apostolado é determinado pela necessidade dos tempos e regulado pelas diretrizes da Igreja e dos superiores. Insere-se na realidade viva da Igreja local, abre-nos para as dimensões da Igreja universal, que amamos e servimos com amor todo especial : “Corramos portanto, meus irmãos, corramos e amemos a Cristo… desdobra tua caridade no mundo inteiro, se quiseres amar Cristo, porque os membros de Cristo se estendem no mundo inteiro. Se amares só uma parte, estarás dividido, não estarás mais unido ao corpo”.

Fiéis aos princípios da Regra: “O motivo essencial pelo qual vos reunistes em comunidade, é para que vivais unânimes na casa e exista entre vós uma só alma e um só coração, orientados para Deus”, realizamos nossa ascese na plenitude da vida comunitária, segundo o modelo da primeira comunidade de Jerusalém.

A alma da vida comum é a caridade. Ela: “modera a alimentação, as conversas, o modo de vestir e as atitudes”; não deixa possuir nada em particular; vivifica a atividade apostólica dos indivíduos, de modo que exprima a unidade dos corações: “Muitos corpos, mas não muitas almas; muitos corpos, mas não muitos corações”; cultiva o diálogo e a amizade espiritual; visa a formar “uma só alma, a única alma de Cristo”, sem mortificar a personalidade de cada religioso, antes, revigorando-a e fazendo-a crescer mais.

Atentos ao chamado de Jesus e cientes de que nos encaminhamos “para as alturas, com os pés da humildade”, nós, Agostinianos Descalços, temos o propósito de testemunhar peculiar atitude interior de humildade que: favorece a pobreza, a mortificação e o desapego do mundo; forma mãos disponíveis ao serviço de Deus e do próximo; facilita a vida fraterna na comunidade. Esta é a significação espiritual mais profunda do voto de humildade e do nudipédio. “Entra descalço nesta terra, pois é santa. Desnuda os pés, isto é, os afetos de tua alma, para que fiquem nus e livres”. (Constituições, 6-9).