Revista Ide e Anunciai 25. II Capítulo Comissarial – 2006

O II Capítulo comissarial foi celebrado de 20 a 27 de novembro de 2006 na comunidade Santo Tomás de Vilanova, sede da província. Foi reeleito Frei Doriano Ceteroni como Comissário provincial. Os conselheiros eleitos foram Frei Antonio Desideri e Frei Álvaro Antônio Agazzi.

O período que antecedeu o II Capítulo comissarial, e o período que o sucedeu, ficou marcado pelo fato histórico da abertura de uma casa no Paraguai, que se deu aos 28 de janeiro de 2007.

Participantes do II Capítulo Comissarial,
2006.

II Conselho Comissarial:
Frei Antonio Desideri, Frei Doriano Ceteroni, Frei Alvaro Agazzi,
2006.


Religiosos Italianos que vieram para o Brasil, com data de chegada.

1. Fr. Luigi Raimondo † 12.6.1948
2. Fr. Francesco Spoto † 12.6.1948
3. Fr. Antonio Scacchetti † 12.6.1948
4. Fr. Vincenzo Mario Sorce 23.4.1951
5. Fr. Luigi Fazio † 23.4.1951
6. Fr. Stefano Bonfante † 23.7.1953
7. Fr. Alfonso Alberti † 1956
8. Fr. Luigi Vincenzo Bernetti † 21.3.1961
9. Fr. Angelo Possidio Carú † 1.4.1966
10. Fr. Antonio Desideri † 12.4.1967
11. Fr. Antonio Natale Giuliani 15.12.1970
12. Fr. Salvatore La Porta 15.12.1970
13. Fr. Rosario Cesiro Palo † 3.6.1976
14. Fr. Luigi Kerschbamer 21.2.1978
15. Fr. Eugenio Del Medico 9.7.1979
16. Fr. Calogero Carrubba 2.12.1981
17. Fr. Doriano Ceteroni 5.03.1982
18. Fr. Vincenzo Mandorlo 22.10.1982
19. Fr. Nicola Loreto Spera 9.11.1988


SUPERIORES DELEGADOS

1.Frei Francisco Spoto (1961-1973)
2.Frei Vicente Mario Sorce (1973-1976)
3.Frei Luís Bernetti (1976-1988)
4.Frei Antonio Desideri (1988-1991)
5.Frei Angelo Possidio Carù (1991-1995)
6.Frei Luis Bernetti (1995-1996)
7.Frei Antonio Desideri (1996-1999)
8.Frei Eugenio del Medico (1999-2002)

COMISSÁRIO PROVINCIAL
1.Frei Doriano Ceteroni (2002-2009)

PRIORES PROVINCIAIS
1.Frei Álvaro Antônio Agazzi (2009-2015)
2.Frei Vilmar Potrick (2015-2021)
3.Frei Getulio Freire Pereira (2022-…)

Revista Ide e Anunciai 6. Os pioneiros

Frei Francesco Maria Spoto de São José

Frei Francisco nasceu em Mussomeli (CL), na Itália, no dia 1º de janeiro de 1918, filho de Francesco Spoto e Maria Carrubba. Seu nome civil era Rosario Spoto, Na Paróquia San Giovanni em Mussomeli recebeu o batismo no mesmo dia em que nasceu (01 de janeiro de 1918), a crisma em 1924, a primeira eucaristia em 1925. Freqüentou a escola elementar em Mussomeli de 1925 a 1930. Entrou na Ordem como aspirante, frequentou o Ginásio no Convento de Santa Maria Nova (São Gregório da Sassola-Roma) de 1930 a 1934. No mesmo convento no dia 28 de agosto de 1934, começou o Noviciado e no dia 1 de setembro de 1935, emitiu a profissão simples. Iniciou os estudos filosófico-teológicos em Roma, fazendo em 1935-36 o primeiro ano; prosseguiu os estudos em Palermo até 1941. Em Palermo, na Igreja de San Gregorio Papa, aos 06 de janeiro de 1939, emitiu a profissão dos votos solenes. Aos 06 de setembro de 1940, recebeu o Diaconato e no dia 21 de dezembro do mesmo ano foi ordenado sacerdote pelo Card. Luigi Lavitrano.

1º encontro anual dos Frades Agostinianos Descalços do Brasil, Ampére (PR), 1982.

Dos 71 anos de sacerdócio, 35 forram transcorridos no Brasil, de 1948 a 1983. Frei Francisco foi um dos três primeiros confrades que no dia 12 de junho de 1948, a bordo do navio Andrea Costa, zarparam de Gênova e desembarcaram no Brasil, onde, na periferia do Rio de Janeiro deram início à Paróquia Santa Rita. Contemporaneamente ao ministério pastoral ele se empenhou para que se pudesse dar início a um seminário para a formação dos futuros agostinianos descalços. Preocupou-se também em qualificar-se, diplomando-se em Pedagogia e especializando-se em História (Geral e das Américas), e assim pode ensinar nas escolas particulares e públicas.

Foi designado de família nas comunidades do Rio de Janeiro (1948-1962) e de Bom Jardim (1962-1983). Exercitou os ofícios de Prior (Santa Rita, Rio de Janeiro de 1952-1961 e Bom Jardim de 1979-1983), Comissário Geral para o Brasil (1966-1970), Delegado do Brasil (1970-1976). Foi Pároco da Paróquia Santa Rita no Rio (1955-1961), Arquidiocese do Rio de Janeiro; da Paróquia São José (São José do Ribeirão) em Bom Jardim (1962-64); da Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Bom Jardim (1964-82) na Diocese de Nova Friburgo, onde foi também membro e secretário do Conselho Presbiteral.

Em 1983, mesmo deixando do outro lado do oceano grande parte do seu coração, retornou definitivamente para a Itália, onde foi designado de família: em Trapani (1985-1988), Marsala (1988-1989; 2009-2012), Palermo (1989-2009).
Precedentemente, antes de partir para o Brasil, havia sido designado de família: em Palermo (1940-1945), Marsala (1941), Valverde (CT) com o ofício de Mestre dos aspirantes (1945-1948).

Escreveu: Gli Agostiniani Scalzi in Brasile: Memorie di un pioniere e altri ricordi, nel IV centenario della Riforma. Valverde: s.e., 1990.

Frei Francisco Spoto viveu a sua consagração e o seu sacerdócio com alegria e fidelidade. Era um homem de serenidade e cordialidade transparentes, que suscitava imediata simpatia. Ressaltava nele uma profunda humanidade e espiritualidade. Era um homem de comunhão. Amava profundamente a Ordem pela qual rezava e, nas últimas internações no hospital, oferecia os seus sofrimentos ao Senhor. Deixa como lembrança a todos o seu sorriso.
Frei Francisco faleceu dia 02 de setembro de 2012. Tinha 94 anos, dos quais 71 de sacerdócio.


Frei Luigi Raimondo do Sagrado Coração

Frei Luiz Raimondo, um dos primeiros que chegou no Brasil, em 1948, depois de alguns anos servindo a Ordem no Brasil, resolveu passar para a Diocese de Petrópolis. Dedicou-se por 39 anos à Paróquia Santa Ana, em Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul (RJ). Foi ele que construiu o Santuário Bom Jesus de Matosinhos, nesta mesma paróquia, inaugurado em 1959. Frei Luiz nasceu aos 17 de janeiro de 1912, portanto, veio para o Brasil com 36 anos de idade. Faleceu aos 14 de fevereiro de 1992, e está sepultado dentro do Santuário, aos pés do altar do Senhor Bom Jesus. A ele nossa gratidão pelos anos dedicados à Ordem e pelos anos dedicados à Igreja do Brasil.

Inauguração do Santuário, 1959

Santuário Bom Jesus de Matosinhos, Paraíba do Sul (RJ)


Frei Antonio Sccacchetti de Santa Rita

Frei Antonio Sccacchetti de Santa Rita, também um dos primeiros que chegou no Brasil, depois de alguns anos trabalhando na Paróquia Santa Rita dos Impossíveis, no Rio de Janeiro, deixou de exercer o ministério sacerdotal.


Frei Luigi Fazio de São José

Frei Luiz Fazio nasceu aos 24 de julho de 1917, na província de Genova (IT). No dia 13 de novembro de 1932 iniciou o noviciado em Genova e fez a profissão simples aos 19 de março de 1934, em Santa Maria Nova, onde concluiu o noviciado. A profissão solene a fez aos 26 de julho de 1938. A ordenação sacerdotal aconteceu aos 13 de julho de 1941.
Frei Luiz ficou pouco tempo no Brasil, devido a problemas de saúde. Chegou no dia 23 de abril de 1951 e retornou em 1955. Neste período assumiu o ofício de pároco da paróquia Santa Rita dos Impossíveis de 1952 a 1955.

Era um religioso muito aberto e jovial. Gostava muito da vida comunitária e a colocava em prática com muitos gestos de compreensão, bondade e generosidade. Não colocava limites na sua obra de caridade sempre ajudando a todos que dele se aproximavam, por isso era uma pessoa muito estimada, recebendo o reconhecimento de todos.

No início de julho de 1971, foi internado e fez uma cirurgia de úlcera, após sérias complicações devido à diabete, fez outras 5 cirurgias. Durante a doença, a qual enfrentou com muita resignação, pediu várias vezes o sacramento da confissão, e recebeu a comunhão todos os dias. Faleceu aos 17 de agosto de 1971, com apenas 54 anos de idade.


Frei Vincenzo Mario Sorce de Santo Inácio

Aos 94 anos de idade nos escreveu algumas linhas recordando os primeiros anos da missão OAD no Brasil.

Cheguei no Rio de Janeiro no mês de abril de 1951. A cidade fervia pela festa de São Jorge. Lembro de uma canção que a rádio transmitia continuamente: “Índia”, um canto suave que exprimia a saudade do povo indígena. Nossa casa: três quartos bem pequenos, mais um cubículo. Encostado no muro do nosso terreno, cozinha e banheiros. As visitas (até o Embaixador da Itália!) eram recebidas debaixo das árvores.  O serviço nas paróquias foi uma boa escola de apostolado.
Devoção a Santa Rita: orações particulares toda quinta-feira. Prática das “Quinze quintas-feiras”.

Frei Nei Márcio Simon, Frei Mario Genco, Frei Vincenzo Sorce, Frei Gelson dos Santos Lazarin e Frei Leandro Xavier Rodrigues, interior do Santuário Nossa Senhora de Valverde, 
2018.

 


 

Revista Ide e Anunciai 24. I Capítulo Comissarial – 2002

Delegação – Província a Regime Comissarial – Província “Pleno Jure”

Segundo as normas de vida dos Agostinianos Descalços, quando uma realidade nova começa a crescer num determinado país ela passa a formar uma Delegação dependente do governo central. O responsável pela Delegação é superior Delegado que a representa junto ao governo central, a quem cabe tomar as decisões mais importantes da sua vida. Conforme esta nova realidade vai desenvolvendo em números de casas e de religiosos, se torna uma Província a regime comissarial, adquirindo uma certa independência para tomar suas decisões. O Comissário provincial é quem a governa, auxiliado por dois Conselheiros.

Quando se percebe que o crescimento do número de casas e de religiosos exige uma estrutura jurídica mais completa, a autoridade central pode elevar o Comissariato a Província, chamada “pleno jure”, com maior autonomia para tomar suas decisões por ter um Conselho formado por 05 membros.

Em 1999, a Delegação do Brasil já contava com 07 comunidades e cerca de 35 religiosos com profissão solene. Por isso o superior Delegado do Brasil apresentou um pedido ao Capítulo Geral, de 1999, para que fosse criada a Província dos Agostinianos Descalços no Brasil a regime comissarial. Este pedido foi acolhido, e no dia 17 de julho daquele ano, foi criada a Província do Brasil, instaurando nela o regime comissarial. Estabeleceu-se que o primeiro Capítulo comissarial fosse celebrado no ano de 2002.


Celebração do I Capítulo comissarial

Aos 16 de julho de 2002, conforme a convocação do Prior geral, Frei Antonio Desideri, teve início o I Capítulo Comissarial, na comunidade Santa Rita dos Impossíveis de Ramos, Rio de Janeiro. Na vida religiosa um Capítulo é sempre um momento de extrema importância, pois regula toda a vida de uma comunidade (Capítulo local), onde todos os religiosos participam, organiza toda a vida de uma Província (Capítulo provincial), onde alguns religiosos eleitos participam, e coordena toda a vida da Ordem (Capítulo geral), ao qual participam representantes eleitos de cada Província. Por ser o primeiro no Brasil, algumas questões deveriam ser tratadas, tais como: qual o padroeiro da Província, qual a sua sede, de que maneira a Província deveria sustentar-se, e também eleger o primeiro Comissário provincial e seus 02 Conselheiros.

Como padroeira da Província foi escolhida Santa Rita de Cássia. Como sua sede a comunidade Santo Tomás de Vilanova de Ourinhos (SP), por ser mais central entre as comunidades do Paraná e as do Rio de Janeiro. O primeiro Comissário provincial foi Frei Doriano Ceteroni, os dois conselheiros Frei Gelson Briedis e Frei Álvaro Antônio Agazzi.
O Capítulo comissarial mostrou-se favorável ao pedido de ajuda apresentado pelo Provincial da Itália, Frei Luigi Pingeli. De fato, em janeiro de 2003, Frei Airton Mainardi e Frei Edecir Calegari partiram para trabalhar na Itália, mais precisamente na cidade de Pesaro, atendendo a Paróquia Santo Agostinho.

Participantes do I Capítulo Comissarial,
2002.

I Conselho comissarial:
Frei Álvaro Agazzi, Frei Doriano Ceteroni e Frei Gelson Briedis,
2002.

Revista Ide e Anunciai 5. A Partida, a Chegada

Sábado 29 de maio de 1948: a partida

Dos antigos e exuberantes sinos de Gênova se escutam distintamente alguns toques, anunciando o meio-dia. Quando o eco do último toque se some, o moderníssimo transatlântico, Ana Costa, recolhe a âncora e começa sua segunda viagem ao Brasil, Uruguai e Argentina.

No navio, em meio a tantos desconhecidos, se fazem notar, porque levam ostensivamente uma cruz de madeira no pescoço, três jovens missionários Agostinianos Descalços. São os sacerdotes: Luigi Raiomondo, Antonio Sccacchetti e Francesco Spoto. O primeiro é genovês, o segundo romano e o terceiro siciliano. Estes sorriem e choram. Sorriem de alegria e de esperança, e choram de tristeza e de saudade…

A viagem é longa e monótona porque só se vê céu e mar, parece que não tem mais fim. Finalmente ponto final da nossa viagem: Rio de Janeiro.


 

 

Sexta feira, 12 de junho de 1948: a chegada

São precisamente oito da manhã. Um calor abafado e sufocante torna difícil até respirar. A temperatura entorno dos 30 graus. O navio Ana Costa rebocado pelo pequeno escaler da guarda costeira, se aproxima lentamente do porto do Rio de Janeiro, fazendo ouvir o estridente som da sua sirene. Finalmente o navio joga a âncora e permanece imóvel, diria Carducci, “come un monumento”.

No porto, cheio de gente alegre que saúda os passageiros, aparecem dois sorridentes sacerdotes: O Provincial dos Recoletos Pe. Angelo Carestidi e um sacerdote de Dom Orione (do qual não lembro o nome) que nos dão um abraço e as boas vindas no nosso novo campo de trabalho. É um alegre encontro entre Ordens religiosas. Os Recoletos chegaram em 1898, foram os primeiros, depois em 1913 os filhos de Dom Orione, e por último nós, em 1948.

SPOTO, Francesco. Gli Agostiniani Scalzi in Brasile. Valverde: s.e., 1990.

Revista Ide e Anunciai 4. Regra de Santo Agostinho

Santo Agostinho, no século V, escreveu uma regra de vida, que ao longo dos séculos vem orientando muitas congregações religiosas. O santo pede, neste escrito, que seus seguidores vivam em unidade formando uma só alma e um só coração em Deus, tendo tudo em comum, seguindo o exemplo das primeiras comunidades cristãs. A Regra fala ainda sobre a oração, a castidade, a correção fraterna, a humildade, etc. A seguir alguns números deste valioso documento.


1 – Antes de tudo, irmãos queridos, amai a Deus e, em seguida, ao próximo, visto serem estes os principais mandamentos que nos foram dados.

2 – Na vida conventual, observai, pois estes preceitos.

3 – Vivei unanimes na casa, tendo “um só coração e uma só alma” (At 4,32) em Deus, porque a concórdia é a primeira finalidade de vossa vida em comunidade (cf. Sl 67,7).

4 – Nada chameis, por isto, propriedade vossa, mas tudo seja comum entre vós. O superior distribua a cada um o alimento e a roupa (cf. 1Tim 6,8) não de maneira uniforme para todos, porque nem todos tem a mesma saúde, mas segundo as necessidades individuais, pois nos Atos dos Apóstolos lemos que “eles tinham tudo em comum e a cada um se distribuía conforme a sua necessidade” (At 4,32).

10 – Dedicai-vos com zelo (cf. Cl 4,2; Rom 12,12) à oração nas horas e nos tempos marcados.

12 – Quando vos dirigis a Deus com salmos e cânticos, vivei no coração o que exprimis com a boca.

19 – Vosso comportamento seja discreto. Não chameis atenção pela vossa maneira de vestir, tão pouco procureis agradar por ela, mas por vossos bons costumes.

20 – Quando sairdes, ide juntos e juntos ficai, quando chegardes ao destino.

21 – Nada haja no vosso modo de andar, de parar e de comportar-vos, assim como em todos os vossos movimentos, que possa ofender o olhar de outros. Tudo esteja de acordo com o vosso santo estado de vida.

31 – Nenhum dentre vós trabalhe para si, mas todos visem ao bem comum, dedicando-se ao trabalho com maior empenho e alegria do que se cada um trabalhasse para si próprio. Da caridade está escrito que ela “não procura os próprios interesses” (1Cor 13,5). Isto se compreenda assim: Ela antepõe o comum ao próprio e não o próprio ao comum. Sabei, pois, que o vosso progresso espiritual será tanto maior, quanto mais zelo tiverdes pelo bem comum, antepondo este aos interesses particulares, de maneira que todas as necessidades temporais fiquem ofuscadas por aquela caridade que permanece eternamente (cf. 1Cor 12,31; 13,3).

41 – Não haja brigas entre vós (cf. 2Tim 2,24; Ecl 28,10) ou, se as tiverdes, terminai-as o quanto antes. Caso contrário, a ira transformar­se-a em ódio, tomando uma lasca a forma de viga (cf. Mt 7,3) e fazendo da alma uma assassina, pois lemos na Sagrada Escritura que “quem odeia seu irmão é homicida” (1Jo 3,15).

46 – O superior não se julgue feliz pelo poder que lhe foi conferido, mas pelo maior raio de ação que tem para praticar a caridade (cf. Lc 22,25-26; Gl 5,13). Ele está acima de vós pela sua posição na comunidade, mas perante a face de Deus, prostre-se aos vossos pés, em virtude de seu temor para com Este (cf. 1Tim 2,7). Modere os turbulentos, encoraje os tímidos, sustente os fracos, seja paciente para com cada um (cf. 1Tes 5,14). Mantenha a disciplina com amor e saiba imprimir respeito. E, se bem que ambas as coisas sejam necessárias, prefira antes ser amado, do que temido lembrando-se que deverá prestar contas de vós a Deus (cf. Heb 13,17).

48 – O Senhor vos conceda a graça de observar com amor esta Regra, como amigos da beleza espiritual (cf. Ecl 44,6), irradiando o bom perfume de Cristo (cf. 2Cor 2,15; 1Pd 2,12; 3,16) pela vossa santa convivência, não como escravos debaixo da lei, mas como pessoas livres sob a ação da graça (cf. Rm 6,14).

49 – Para que possais olhar-vos nesta regra, como num espelho, nada transcurando por esquecimento (cf. Tg 1,23-25; Heb 12,5), seja-vos lida uma vez por semana. Se constatardes que cumpris tudo o que vos foi prescrito, agradecei a Deus, autor de todo o bem. Se, pelo contrário, verificardes ter faltado em alguma coisa, arrependei-vos do passado e preveni-vos para o futuro, pedindo que vos seja perdoado o débito e que sejais preservados de ulteriores tentações. Amém!

Revista Ide e Anunciai 23. Os Agostinianos Descalços em Ourinhos (SP)

A partir de 1994, houve um aumento expressivo a cada ano do número de vocacionados pedindo para ingressar em nossos seminários, tendo já concluído o Ensino Médio. Com isso surgiu a preocupação: para qual dos seminários encaminhá-los? Certamente não poderiam ser admitidos para o Noviciado, que vinha sendo realizado após o Ensino Médio, tratando-se de jovens que estavam apenas iniciando sua caminhada vocacional e teriam que passar pela experiência do Postulado.

Para onde encaminhá-los, então, para frequentar o Curso de Filosofia? A opção mais viável parecia ser o Seminário Santa Mônica de Toledo (PR). Ali prestariam vestibular e, uma vez aprovados, poderiam cursar Filosofia na Unioeste e, depois, fazer o ano de noviciado. Esbarrou-se em dois problemas: 01) muitos candidatos compareciam aos estágios quando as inscrições para o vestibular estavam já encerradas; 02) para onde iriam os que eventualmente não conseguissem se classificar?

Apareceu, então, a possibilidade de se frequentar o curso de Filosofia da Diocese de Nova Friburgo (RJ), que Dom Alano Maria Pena OP recentemente tinha criado, morando-se no Seminário Santo Agostinho, em Bom Jardim (RJ). Aí não haveria o problema do vestibular, pois a admissão para a Filosofia seria automática. E assim foi. Antônio Carlos Ribeiro e Francisco Luís Ferreira, hoje Padres, em fevereiro de 1995, iniciaram sua experiência de seminaristas, frequentando Filosofia no Seminário da Diocese de Nova Friburgo (RJ).

1º grupo de professos.

Após ter cursado um ano de Filosofia, com a aprovação da comunidade, poderiam ser encaminhados para o Noviciado “Nossa Senhora da Consolação”, em Nova Londrina (PR), ou dar continuidade ao curso.

No ano de 1996, houve também uma turma de 21 Professos que o Seminário Santa Rita do Rio de Janeiro (RJ) não conseguiria acolher. Estes também foram encaminhados para Bom Jardim para usufruir do curso de Filosofia de Nova Friburgo. As aulas eram ministradas, em sua maioria, no período matutino, mas algumas também na parte da tarde.

Desde o início a comunidade religiosa, cujo Prior era Frei Antonio Desideri, percebeu o desgaste dos alunos que precisavam sair cedo de Bom Jardim, pegar dois ônibus para chegar ao destino, voltando para casa muito tarde e o conseqüente baixo aproveitamento nos estudos, sem contar com as dificuldades para a alimentação. Havia também um gasto não indiferente com passagens e com o próprio curso.

Foi justamente no início do segundo semestre daquele ano de 1996 que a comunidade decidiu trazer o Curso de Filosofia para dentro de casa, já que a estrutura física não faltava, pois poderia usufruir das instalações do Colégio Santo Agostinho. Formou-se o primeiro corpo docente que contou com a colaboração dos próprios Padres, de algum professor do Colégio Santo Agostinho e dos professores do próprio Curso de Nova Friburgo.

A partir de então sentiu-se sempre mais forte a urgência de se pensar num Curso de Filosofia da Ordem, com sede própria, um corpo docente formado em sua maioria por frades, uma biblioteca à altura e que pudesse prestar um serviço também ao clero diocesano, aos (às) religiosos (as) e aos leigos que quisessem usufruir do referido serviço.

Geograficamente pensava-se numa cidade de médio porte que encurtasse os caminhos entre as nossas comunidades do Rio de Janeiro e do Paraná. O superior Delegado Frei Antonio Desideri realizou várias sondagens em diferentes dioceses, conversando com os respectivos Bispos: Osasco (SP); Santos (SP); Itapetininga (SP); Guarapuava (PR); Londrina (PR); Curitiba (PR).

Por fim, aos 15 de janeiro de 1999, estando todos reunidos por ocasião do encontro anual em Nova Londrina (PR), tendo que tomar uma decisão a respeito de um grupo de 19 professos que deveria iniciar a Filosofia, foi lembrado que Pe. Salvador Paruzzo, amigo de Frei Calogero Carrubba, por ser oriundo da mesma cidade da Sicília, na Itália, tinha sido recentemente nomeado Bispo da nova Diocese de Ourinhos (SP). A cidade de Ourinhos preenchia os requisitos exigidos.

Fez-se contato com Pe. Salvador, que estava sabendo da nossa procura, por fazer parte do Clero da Diocese de Osasco, onde nossa proposta tinha sido apresentada, mas não acatada. Ele manifestou sua felicidade em poder nos receber em sua Diocese para o serviço pastoral às paróquias e ficou mais feliz ainda pelo projeto de construirmos um seminário onde pudesse funcionar o curso de Filosofia da Ordem. Comunicou-nos também que a Paróquia de Santo Antônio da Vila Odilon, em Ourinhos, a partir do dia 31 de janeiro de 1999, portanto logo, ficaria sem padre e poderia estar disponível para os Agostinianos Descalços.

Construção do Seminário Santo Tomás de Vilanova.

Os primeiros 03 Frades: Frei Calogero Carrubba; Frei Everaldo Engels e Frei Jurandir de Freitas Silveira chegaram a Ourinhos aos 11 de fevereiro de 1999, festa de Nossa Senhora de Lourdes e, no dia 14, Frei Calogero tomava posse como Pároco na Paróquia Santo Antônio da Vila Odilon. Aos 22 de fevereiro chegaram também os 20 Professos prontos para iniciar o curso de Filosofia. Ficaram todos amontoados na casa paroquial e na casinha ao lado, usando uma sala de catequese da Paróquia como sala de aula.

Os três religiosos acima mencionados, com a ajuda de Frei Claudiomiro Renato Bertuol, professo em estágio, do Pe. José Geraldo da Fonseca, da Congregação dos Teatinos e de uma Professora de Língua Portuguesa formaram o primeiro corpo docente do “Instituto de Filosofia Santo Tomás de Vilanova”, com sede em Ourinhos.

Frei Calogero Carrubba, Doutor em Filosofia, exerceu o cargo de Diretor desde o início; Frei Jurandir de Freitas Silveira, o de Coordenador do Curso e Frei Everaldo, o de Secretário. No ano de 2000 a turma que tinha concluído o 1º ano foi dar continuidade aos estudos no Instituto Teológico do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro e uma nova turma iniciou o Curso de Filosofia nas mesmas condições precárias do grupo anterior.

Em abril de 2000 iniciou-se a construção do novo Seminário Santo Tomás de Vilanova que seria também sede do Instituto de Filosofia, numa área em parte doada pelo Sr. José Carlos Dias (15.000 m2), e em parte adquirida do Sr. Rafael Saqueti (18.000 m2). A primeira parte do novo seminário ficou pronta no segundo semestre de 2002. Foi quando os professos passaram a morar nas novas instalações, onde eram ministradas também as aulas de filosofia.

Aos 07 de dezembro de 2003 houve a Missa de ação de graças com bênção e inauguração do novo Seminário e das instalações do “Instituto de Filosofia Santo Tomás de Vilanova”, com a participação de Dom Salvador Paruzzo, Bispo diocesano; Dom Luís Vicente Bernetti OAD, Bispo Auxiliar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão (PR); Frei Antonio Desideri, Prior Geral da Ordem; Frei Luigi Pingelli, Prior Provincial da Itália; Frei Doriano Ceteroni, Superior Provincial do Brasil, outros confrades e padres diocesanos, o Prefeito Municipal Claudemir Alves e uma presença expressiva do povo ourinhense.

Seminário Santo Tomás de Vilanova.

Em dezembro de 2004, devido às muitas transferências de religiosos, foi necessário nomear uma nova Diretoria do Instituto que ficou assim constituída: Frei Calogero Carrubba, Diretor; Frei Braz Hoinatz de Andrade, Coordenador do Curso e Frei Getúlio Freire Pereira, Secretário.

O Conselho Provincial de dezembro de 2005 aprovou os Estatutos e o Regimento. Devido às mudanças de religiosos e, sobretudo pela chegada de Roma de novos confrades formados na área da Filosofia, elegeu a diretoria: Frei Éder Ângelo Rossi, Diretor; Frei Nei Márcio Simon, Coordenador do Curso e Frei Adélcio Vultuoso, Secretário. Ao longo destes anos o nosso Seminário Santo Tomás de Vilanova contribuiu para a formação de muitos Padres da nossa Ordem e da diocese de Ourinhos, recebendo uma sólida formação intelectual e humana.

Os sacerdotes que por aqui passaram não se limitaram somente ao ensino, mas conforme o ensinamento do nosso Pai Santo Agostinho, estenderam a sua caridade às necessidades da diocese, assumindo o serviço pastoral em várias paróquias. Nestes anos foram atendidas a Paróquia de Santo Antônio, na Vila Odilon, que foi confiada à Ordem desde a chegada dos primeiros religiosos desde 1999 ; a Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio em Salto Grande (2002); a Paróquia de Santo Antônio em Ribeirão do Sul (2003-2007); a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Canitar (2000-2017); a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida do Vagão Queimado em Ourinhos (2010…); a Paróquia de São Pedro, em São Pedro do Turvo (2010-2016). Também está se dando uma colaboração pastoral a vários movimentos e pastorais diocesanos, como o Cursilho de Cristandade, a Pastoral da Saúde, a Pastoral da Família etc., bem como a assistência espiritual ao Lar dos Anciãos Desamparados “Santa Teresa Jornet”, com celebração da santa missa diária e assistência espiritual aos velhinhos. A nossa Ordem está prestando um serviço qualificado à Diocese de Ourinhos, coordenando a Chancelaria da Cúria diocesana, desde 2004 até os dias atuais. Ela também estendeu a sua valiosa colaboração também à Província Eclesiástica de Botucatu, colaborando com o Tribunal Eclesiástico Interdiocesano daquela Província Eclesiástica, por meio de um seu Religioso, que foi nomeado, pelo Bispo Moderador do referido Tribunal, Defensor do Vínculo e depois Vigário Judicial adjunto do mesmo Tribunal. Atualmente nossa Ordem continua prestando um serviço qualificado na ajuda à diocese de Ourinhos por meio do Frei Calógero, que exerce a função de Chanceler da Cúria diocesana e também a de Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico diocesano da mesma diocese.

Frei Calógero recebe o título de cidadão ourinhense.

A presença dos Agostinianos Descalços se estendeu também no mundo da cultura, nas universidades presentes em Ourinhos e na cidade vizinha de Jacarezinho, para abrir um diálogo amigo e fraterno com professores e alunos que apresentam outras visões de vida e outros valores culturais, levando a Palavra de Deus naquele ambiente, testemunhando os valores do Reino através da palavra e da cultura, mas, sobretudo, através do testemunho de vida sacerdotal e religiosa.

A partir do final de 2016, o Seminário Santo Tomás de Vilanova, por falta de vocações, foi transformado em “Colégio Santo Agostinho”, cuja inauguração se deu no dia 15 de dezembro de 2017, dando continuidade à tradição educativa humana e cristã deixada pelo nosso Pai Fundador. Façamos votos que esta iniciativa colabore com a formação humana, moral, cristã e intelectual de tantos adolescentes e jovens, que possam se tornar através do estudo e do cultivo dos valores humanos, sociais, religiosos, morais e intelectuais, bons cidadãos e bons cristãos; e que muitos deles possam seguir as pegadas de Santo Agostinho, continuando a obra evangelizadora de Cristo.

Inauguração do Colégio Santo Agostinho,
15/12/2017.

São este os votos que desejamos à nossa Ordem no Brasil, no aniversário dos setenta anos da sua presença na Terra de Santa Cruz.

Frei Calogero Carrubba, oad

Revista Ide e Anunciai 22. Adolescentes Junto a Agostinho

Em 2007, ainda como seminarista da Ordem dos Agostinianos Descalços, Padre Denildo da Silva, pensou em uma iniciativa para movimentar todos os jovens da Paróquia Santo Antônio, no bairro da Pavuna, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), a participar ativamente na vida da Igreja. Queria que os jovens perseverassem individualmente, mas que também se unissem para juntos formarem um só coração e uma só alma voltados para Deus. Seu desejo foi compartilhado com os adolescentes e jovens, que descobrindo a Igreja, começaram a caminhar com ele nesta nova iniciativa.

Em 1º de setembro de 2007, nasce o AJA: Adolescentes Junto de Santo Agostinho. Os jovens e adolescentes se reúnem todos os sábados das 16h às 18h. O intuito é atualizar, a cada sábado, em nossa realidade e em nossas vidas, os ensinamentos do Santo Pai Agostinho, sua história e doutrina, de forma simples e dinâmica.

Vendo a necessidade de palestras mais aprofundadas sobre a juventude e suas questões após a adolescência, em 2012 inicia-se o JJA (Jovens Juntos de Santo Agostinho). Formula-se neste ano o Estatuto de todo o Movimento com suas normas de vida em comunidade. Nesse mesmo ano no Movimento é admitido a Juventude Agostiniana Descalça, conhecida como JAD. O JJA durou 03 anos e não prosseguiu, permanecendo ativo apenas o AJA.

O AJA já passou por 05 diretores, no princípio foi acompanhado por seu fundador, depois por Frei Cleber, na época seminarista da Ordem dos Agostinianos Descalços. Após este período voltou a ser acompanhado pelo fundador. Em 2014, Frei João Paulo da Silva assume a responsabilidade de acompanhar o movimento e em 2016, esse cargo é passado ao Frei Wellington Porfírio de Barros, em seu ano Pastoral. Desde o início foi acompanhado por seminaristas, em 2017, pela primeira vez, o Movimento começa a ser acompanhado por um sacerdote, Frei Gustavo Tubiana.

Após sua fundação na Pavuna, com a transferência do Padre Denildo para a paróquia Santa Rita dos Impossíveis, no bairro de Ramos, Rio de Janeiro (RJ), iniciou também lá o movimento AJA. Também a paróquia Santo Antônio de Ourinhos (SP), iniciou o movimento, continuando até hoje. Qualquer iniciativa começou também em Toledo (PR). Atualmente está presente apenas na Pavuna e em Ourinhos.

Em 2015 seu fundador é ordenado sacerdote, na Ordem dos Agostinianos Descalços e em 2016 sai desta mesma Ordem tornando-se padre diocesano. Em 2017 seus dois últimos diretores são ordenados sacerdotes, Frei João Paulo, que está na comunidade Nossa Senhora da Conceição, em Bom Jardim (RJ), e Frei Wellington, que está na comunidade Santa Mônica em Toledo (PR). O ano de 2017 foi especial porque o movimento completou 10 anos de atividades.

Stefane de Jesus Quaresma

Revista Ide e Anunciai 3. Ordem dos Agostinianos Descalços

Santo Agostinho é um dos grandes santos da Igreja Católica. Com sua brilhante sabedoria, iluminou o mundo com seus escritos e suas explanações sobre a doutrina cristã católica. Por isso é considerado doutor da Igreja. Deixou-nos muitos livros dos mais variados temas. É um dos santos mais citados em todos os tempos. Viveu entre os anos 354 e 430. Foi sacerdote e Bispo de Hipona, Norte da África. Aurélio Agostinho, como se chamava, nasceu em uma família, onde seu pai Patrício era pagão e sua mãe Mônica era cristã. Em sua infância Agostinho seguiu mais o exemplo do seu pai, e, apesar das orações da mãe, não participava da Igreja católica.

Começou a estudar e logo perceberam que o menino tinha uma grande inteligência. Recebeu, então, incentivo para continuar seus estudos, até se formar em retórica. Começou a dar aulas e a ficar famoso com seus discursos. Neste período Agostinho buscava insaciavelmente a felicidade, a verdade, e não conseguia encontrá-las. Sua mãe, nunca desistiu de rezar e pedir a Deus pela conversão do filho. Na busca de melhorar sua vida, mudou-se para a Itália. Sua mãe, mesmo sem ele saber, foi atrás dele. Procurava estar sempre perto do filho para o ajudar a encontrar o verdadeiro caminho da felicidade.

Em Milão (IT), Agostinho encontra-se com Santo Ambrósio e começa a ouvir seus sermões. A busca continuava e era incansável, até que um dia o milagre, a graça, o dom da conversão aconteceu, era o ano de 387, quando já estava com 33 anos de idade. “Toma e lê” dizia a voz vinda do céu. Ele pegou e leu, e foi na Escritura que encontrou a fonte para matar sua sede de infinito. Recebeu o batismo e voltou para sua terra, onde passou a viver em comunidade com alguns amigos. Seu objetivo era formar um só coração e uma só alma voltados para Deus. Inspirado nas primeiras comunidades cristãs, Santo Agostinho escreveu uma regra de vida, para aqueles que quisessem seguir seus passos. Esta regra ilumina o caminho de inúmeras famílias religiosas, inclusive nós, Agostinianos Descalços. Após um tempo vivendo em comunidade, Santo Agostinho foi ordenado sacerdote e, em seguida, Bispo de Hipona, mas nunca deixou de lado seu ideal comunitário.

Depois de muitos séculos, sendo que muitos mosteiros seguiam independentes a regra de Santo Agostinho, em 1256, em Roma, o Papa Alexandre IV, expressou a vontade de que todos os mosteiros que seguiam a mesma regra de Santo Agostinho fossem unidos numa grande Ordem religiosa. Foi assim que nasceu a Ordem de Santo Agostinho. Esta Ordem teve um grande desenvolvimento e começou a exercer também o carisma apostólico, uma vez que no início a predominância era a vida eremítica. Assim, ao longo dos séculos, ela foi crescendo e se tornou grande e importante na história da Igreja. Com o crescimento e os séculos de existência veio também, como para toda a Igreja da Idade Média, o distanciamento das origens e o esfriamento espiritual.

No século XVI toda a Igreja, impulsionada pelo Concílio de Trento, estava passando por uma profunda reforma. Este anseio pela reforma atingiu também as Ordens religiosas de então, inclusive os Agostinianos. Estes começaram, então, movimentos de renovação da vida espiritual e comunitária. Foi neste contexto, que um grupo de Agostinianos, atendendo ao anseio da Igreja, e impulsionados pelo 100º Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho, de 19 de maio de 1592, decidiram viver uma vida mais austera, voltada para a vida comunitária, vida de oração e de penitência. O dia 20 de julho de 1592, marca o início desta nova experiência, que no futuro recebeu o nome de Ordem dos Agostinianos Descalços. O nome descalço é justamente expressão deste anseio de reforma, de retorno às origens, de austeridade e santidade.

Os Agostinianos Descalços, nascidos na Itália, se desenvolveram e se espalharam pela Europa. No seu apogeu, por volta de 1700, contavam com mais de 2 mil religiosos. Escreveram lindas páginas missionárias nos séculos XVII e XVIII no Tonquim e na China. No século XX resolveram vir para o Brasil, mais precisamente em 1948, e por aqui também escreveram, e continuam escrevendo, lindas páginas.

Revista Ide e Anunciai 2. Palavra do Prior geral

Palavra do Prior Geral…

Não é difícil para mim falar deste tempo; aliás é um prazer, pois tive o privilégio de acompanhar exatamente a metade destes 70 anos de vida e de desenvolvimento dos Agostinianos Descalços no Brasil. Julgo a vocação sacerdotal um sublime dom de Deus, um verdadeiro tesouro, e a vocação missionária “a pérola” que lhe dá maior brilho. Fui agraciado com estes dois presentes.

Cheguei ao Brasil no início de março de 1982, momento em que a Delegação do Brasil, tinha tomado a decisão de “descer” do Estado do Rio de Janeiro para a cidade de Ampére, no Paraná, investindo decididamente, no campo vocacional. Foi ali, de fato, que em 1977 tomou feição o Seminário Santo Agostinho, o primeiro da Ordem, pela entusiasta iniciativa de Frei Antonio Desideri e Frei Angelo Carù. Ajudei no que pude o Reitor Frei Luigi Kerschbamer e o Pároco Frei Eugenio (Giuliano) Del Médico.

Já no ano seguinte, foi constituída a nova comunidade “Santa Mônica”, em Toledo, pois precisava dar continuidade à formação dos numerosos adolescentes e jovens que nos procuravam com o desejo de serem religiosos agostinianos e sacerdotes. Frei Luigi foi designado para o novo seminário, e a partir do mês de fevereiro de 1983, foi-me dada a responsabilidade do Seminário Santo Agostinho, podendo contar com a valiosíssima colaboração do confrade e amigo Frei Vincenzo Mandorlo.

Tive a felicidade de conviver com Frei Angelo, o confrade que marcou de forma indelével o perfil do religioso “Descalço”, do missionário e do sacerdote zeloso e ficou no coração de quantos o conheceram. Deixou-nos, repentinamente, aos 23 de maio de 1995, deixando em todos muitas saudades. Fui confrade de Dom Luís Vincenzo Bernetti, antes Bispo auxiliar da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão (PR) e depois Bispo titular da Diocese de Apucarana (PR), que após seu ministério episcopal voltou, à sua/nossa família, debilitado pelo mal de Alzheimer. Veio a falecer no dia 11 de agosto de 2017. Destes dois mestres todos aprendemos muito.

A Delegação foi crescendo e se expandindo e adquiriu a nova configuração jurídica, tornando-se “Província Santa Rita de Cássia dos Agostinianos Descalços” no Brasil, escolhendo a comunidade “Santo Tomás de Vilanova” como sua sede.

Seguiu-se abertura da missão no Paraguai, na cidade de Yguazú e de outras comunidades no Brasil, bem como a ajuda às comunidades da Itália. Vários bispos estão se beneficiando de nosso serviço pastoral, desempenhado sempre com a marca da humildade e em comunidade.
Por tudo e por todos: Deus seja louvado!

Frei Doriano Ceteroni

Revista Ide e Anunciai 21. Os Agostinianos Descalços na Pavuna/Rio de Janeiro (RJ)

O início

O constante aumento de professos e o crescente número de sacerdotes brasileiros fez com que os Padres da Delegação se preocupassem com antecedência com a abertura de mais uma comunidade para os professos teólogos, no Rio de Janeiro e de mais um seminário menor, pois o seminário Santo Agostinho de Bom Jardim continuaria acolhendo os professos filósofos. Neste intuito, aos 10 de setembro de 1996, festa de São Nicolau de Tolentino, foi encaminhada à Arquidiocese do Rio de Janeiro uma carta em que a Ordem se dispunha a atender a mais uma paróquia que tivesse um espaço físico para acolher um grupo de teólogos.

Uma entre as várias propostas que a Arquidiocese nos fez, foi a de assumirmos a Capela “Nossa Senhora da Conceição” da Paróquia Santo Antônio, no bairro da Pavuna, atendida pelos Padres Mercedários. Estes nos disseram que torná-la paróquia era um projeto que vinha se arrastando há bastante tempo, pois ela foi construída no terreno de propriedade da Congregação religiosa, o que impediria a criação da nova paróquia e não se encontrava o jeito de se chegar a um acordo entre as partes.

Igreja Matriz.

Alguns meses depois, voltando a conversar a respeito da futura paróquia, os Padres nos manifestaram sua intenção de deixar a Paróquia Santo Antônio para ficarem apenas com a de Guadalupe e transferir para lá também o seminário menor, porque os seminaristas, todos os dias, precisavam se deslocar da Pavuna até lá para frequentarem as aulas no Colégio da Congregação.

Tratava-se de uma proposta interessante para nós, porque os professos teólogos passariam a usar as estruturas do seminário e também para a diocese do Rio, pois encontraria a forma mais simples de substituir os três Padres Mercedários que vinham servindo a Paróquia há muitos anos.

A decisão final seria tomada durante a assembléia anual que aconteceria na primeira dezena de janeiro de 1998. Enquanto isso, tinha sido encaminhado a D. Augusto Zini Filho, Bispo Auxiliar do Rio responsável por este setor, um novo pedido, desta vez, direcionado à Paróquia Jesus Sacramentado, na Vila da Penha, que tinha ficado sem Padre. Esta teria também condições de acolher um pequeno número de vocacionados.

No dia 11 de janeiro, Pe. Emílio Santamaria Fernandes, Vigário Provincial, comunicou ao Frei Antonio Desideri, nosso superior Delegado, que se encontrava em Ampére – PR por ocasião do Encontro anual, que em assembléia, os Padres Mercedários tinham concordado em entregar a Paróquia à Arquidiocese, por falta de Padres.

Um pouco mais tarde chegou a ligação de Dom Augusto Zini Filho, dizendo que a Arquidiocese do Rio tinha aprovado o nosso pedido de assumir a Paróquia “Jesus Sacramentado”. Assim, em questão de uma hora, a situação tinha mudado completamente: estávamos em condições até de escolher, entre as duas opções, a que mais respondesse às nossas exigências, sobretudo em termos de seminário. Frei Antonio não pensou duas vezes. Sem a menor dúvida, optou para a Paróquia Santo Antônio por ser maior e por isso necessitar de mais Padres e por ter uma estrutura de seminário mais adequada e maior do que a de Jesus Sacramentado.

Seminário São Nicolau de Tolentino.

Uma vez que tudo estava bem encaminhado por aqui, precisava formalizar juridicamente as coisas com o governo central em Roma. Neste sentido o Superior Delegado encontrou uma certa resistência e dificuldade até ser convocado a Roma para tentar explicar e justificar pessoalmente os motivos e as vantagens da escolha de uma secunda comunidade no Rio. De fato, na opinião dos superiores, poderia também se ampliar o seminário Santa Rita, em Ramos e, assim não precisaria se preocupar com mais um formador. Mas, por fim, o Definitório Geral reunido em Roma, no mês de fevereiro de 1998, deu parecer favorável para que a Ordem aceitasse a Paróquia. Eis o texto da decisão tomada aos 18 de fevereiro:

“Os Padres do Definitório Geral, analisado o pedido do superior da Delegação do Brasil (25 de janeiro de 1998), em que pede que seja aceita a paróquia S. Antônio, , na Pavuna, Rio de Janeiro, a nós oferecida pela Arquidiocese, que compreende o anexo edifício que poderá servir num futuro próximo como seminário dos professos, em face do aumento do número de professos, que tornou insuficiente o atual seminário “Santa Rita dos Impossíveis”, em Ramos, consentem a tal pedido”.

No dia 01 de março, Frei Gelson Briedis recebeu a posse como pároco do Vigário Episcopal do Vicariato Suburbano, Mons. Gilson José Macedo da Silveira e Frei Marcos Mezzalira a de Vigário Paroquial e Frei Nicola Loreto Spera, Irmão religioso e diácono Permanente. (CETERONI, Doriano. Os Agostinianos Descalços, Ourinhos, 2008).

Posse Frei Gelson Briedis,
1/3/1998.

Nestes 20 anos de presença dos Agostiianos Descalços na Pavuna, foram ao todo 23 religiosos agostinianos descalços que cumprindo a obediência religiosa passaram por esta comunidade: Frei Gelson Briedis (1998-2002); Frei Marcos Mezzalira (1998); Frei Nicola Loreto Spera, Irmão religioso e Diácono permanente (1998-2001); Frei Carlos Topanotti (1999); Frei Valdecir Chiodi (2000-2009); Frei Dejalma Francisco Grando (2000-2001); Frei Getúlio Freire Pereira (2001-2003; 2017…); Frei Moacir Chiodi (2003-2006); Frei Antônio Carlos Ribeiro (2003-2006); Frei Lorivaldo do Nascimento (2004-2006); Frei José Jorge dos Santos Firmino, Irmão religioso (2005); Frei Laércio José Dias Sanção (2006-2008); Frei Edson Marcos Minski (2007-2015); Frei Djorge Marcelo de Almeida (2007-2008); Frei Rogério Chiodi (2007-2010); Frei Valdecir Soares (2009); Frei Doriano Ceteroni (2010); Frei Elves Allano Perrony (2010-2015); Frei Rosario Cesiro Palo (2010-2013); Frei José Arnaldo Schott (2011-2012); Frei Leandro Edmar Nandi (2013-2017); Frei Darci Nelson Przyvara (2016…); Frei Gustavo Tubiana (2016…).

A Paróquia Santo Antônio

A Paróquia Santo Antonio foi criada aos 14 de agosto de 1944, com decreto do Arcebispo Metopolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro Dom Jayme de Barros Camara, com território desmembrado das Paróquias São Tomé de Anchieta e de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Recebeu o título de “Paróquia de Santo Antonio da Pavuna”, sendo instalada no dia seguinte, 15 de agosto, pelo mesmo arcebispo e tendo como primeiro Vigário Ecônomo (Pároco) o Reverendo Padre Alfredo Simon.

A construção da atual Igreja teve início no dia 13 de junho de 1945 com a bênção da pedra fundamental. A Capela anterior era da Irmandade de Santo Antonio que tinha se instalado aos 17 de junho de 1928.

Aos 6 de Fevereiro de 1955, a Ordem da Mercês na pessoa do segundo pároco o Padre Frei Amadeo Gonzales Ferreira assumiu os cuidados pastorais da Paróquia. A Ordem Mercedária guiará a Paróquia Santo Antonio por 43 anos tendo como seu último Pároco o padre Frei Jesús Teno Vásques, terminando o seu serviço no dia 1 de março de 1998, quando Frei Gelson Briedis tomou posse como primeiro pároco da Ordem dos Agostinianos Descalços.

A empatia entre a comunidade paroquial e a nova comunidade religiosa foi quase que imediata como demostrou a visita (8-9 de março de 1999) da Relíquia do Santo Pai Agostinho na matriz e nas capelas da Paróquia apenas um ano após a nossa chegada, em ocasião da celebração do jubileu dos 50 anos da nossa presença no Brasil (1948-1998).

Nesses 20 anos da presença de nossa Ordem, a Paróquia Santo Antônio foi guiada espiritualmente, pelos religiosos Frei Gelson Briedis (1998-2002); Frei Antônio Carlos Ribeiro (2003-2006); Frei Edson Marcos Minski (2007-2015); Frei Darci Nelson Przyvara (2016…) como párocos, auxiliados pelos vários religiosos pertencentes à comunidade religiosa.
Na comunidade paroquial o trabalho è grande, árduo, mas gratificante. Cerca de 40 pastorais e movimentos; 3 (três) capelas: São Pedro Nolasco, Nossa Senhora da Alegria e Nossa Senhora das Mercês. As capelas eram 4 (quatro) até quando a Capela Nossa Senhora da Conceição foi desmembrada, tornando-se paróquia (29 de março de 2008).
Por muitos anos funcionaram os Cursos Mater Ecclesiae e Luz e Vida, dando formação adequada a muitos agentes de pastoral, atualmente permanecem inativos por falta de um número suficiente de alunos.

2º grupo de professos.

Os grupos de espiritualidade agostiniana também encontraram terreno fértil, com a presença do AJA (Adolescentes junto a Agostinho) e do JJA (Jovens junto a Agostinho), como também os Amigos di AJA, formado pelos pais dos adolescentes.

A celebração eucarística semanal, por parte dos religiosos sacerdotes, a duas comunidades religiosas femininas, as Irmãs Mercedárias da Caridade do Instituto Santo Antonio, na Pavuna e as Irmãs Franciscanas de Dillingen do Colégio Santa Maria, de São João de Meriti, testemunham também a comunhão na vida religiosa; comunhão esta vivida desde os primeiros momentos de nossa chegada à Paróquia e a permanência por um ano do Seminário Mercedário.

A Comunidade São Nicolau de Tolentino

Nos anos 1998-1999 os religiosos eram somente residentes, pertencendo à Comunidade Santa Rita de Ramos. O Definitório Geral Extraordinário reunido em Roma de 6-23 de dezembro de 1999, erigiu uma nova Casa religiosa no Brasil, a sexta, dedicando-a a São Nicolau de Tolentino: “Os Padres do Definitório Geral, tendo visto: a) a Proposição votada no Definitório Geral (Sessão VIII, 12.02.1998), com a qual aceita o pedido do Delegado da Delegação Brasileira (21.01.1998), com a qual pede que seja aceitada a Paróquia Santo Antônio (Pavuna) no Rio de Janeiro, oferecida-nos pela Arquidiocese, que compreende o edifício anexo, que em um futuro próximo pode ser usado como sede de clericado; b) o consenso escrito do Ordinário do lugar (22.12.1999); Erige canonicamente a nova Casa “S. Nicolau de Tolentino”, na Pavuna, Rio de Janeiro e a destina a sede de formação”.

A nova comunidade se instalou no dia 13 de fevereiro de 2000, na presença do Superior Geral Frei Antonio Desideri com a inauguração do Seminário recebendo o primeiro grupo de dez (10) professos de votos simples, estudantes de filosofia.
Nesse período a comunidade foi guiada pelos seguintes priores: Frei Gelson Briedis (2000-2002); Frei Moacir Chiodi (2003-2006); Frei Edson Marcos Minski (2007-2009; 2011-2015); Frei Doriano Ceteroni (2010); Frei Darci Nelson Przyvara (2016…).

A Comunidade São Nicolau de Tolentino foi casa de formação até o final do ano de 2012, quando por decisão do II Capítulo Provincial (IV Sessão, 13.12.2012) da Província Santa Rita de Cássia foi fechado o Seminario. Os professos estudantes de filosofia e teologia no Mosteiro de São Bento, nesses 13 anos foram acompanhados pelos seguintes religiosos, na função de Mestre: Frei Valdecir Chiodi (2000-2006); Frei Laércio José Dias Sanção (2007-2008); Frei Doriano Ceteroni (2010); Frei José Arnaldo Schott (2011-2012). No ano de 2009 não houve grupo de professos.
Dos religiosos em formação que passaram pelo Seminário São Nicolau de Tolentino, além de Frei Aléx Sandro Rodrigues, irmão religioso, foram ordenados 12 sacerdotes: Frei Laércio José Dias Sanção, Frei Juarez Bastiani, Frei José Arnaldo Schott, Frei César de Souza Gonçalves, Frei Osmar Antônio Ferreira, Frei Cleber Rosendo da Silva, Frei Diogo Moreno Pereira, Frei Renato Batista Machado, Frei Diego Santos de Souza, Frei Denildo da Silva, Frei Claudimir Falkowiski e Frei Alciney de Freitas Martins.

Das vocações oriundas da Paróquia Santo Antonio, somente uma chegou à ordenação, Frei Vitor Hugo Silva do Espírito Santo, ordenado aos 2 de julho de 2016.

Ordenação sacerdotal de Frei Vitor Hugo Silva do Espírito Santo, 
2016.

A gratidão ao Senhor da messe que nesses 13 anos mostrou a sua providência através da generosidade da comunidade paroquial, que com carnês de contribuição e a festa do seminário, juntamente com a contribuição institucional por parte da paróquia, nunca deixou faltar nada, pelo contrário, foi abundante para com o seminário.

Frei Getúlio Freire Pereira, oad