† Frei Angelo Possidio Carú

de Jesus Crucificado


Breve biografia
Em 2018 os Agostinianos Descalços completam 70 anos de presença no Brasil. Nosso calendário anual apresenta um pouco da vida de Frei Angelo, os lugares onde trabalhou, suas virtudes como religioso e sacerdote, destacando alguns testemunhos de pessoas que conviveram com ele. No Rio de Janeiro é conhecido como Frei Possidio. Ele está sepultado na capela dos Agostinianos Descalços no Cemitério Municipal de Ampére (PR)


Datas significativas

Nascimento – 17/02/1925, filho de João José Carú e Josefina Macchi.
Batismo – 28/02/1925.
Crisma: 9/10/1932.
Primeira Comunhão: 1933.
Ingresso no seminário – 31/12/1940.
Vestição Religiosa – 26/09/1942.
Profissão Simples – 10/11/1943.
Profissão Solene – 24/12/1946.
Ordenação Diaconal – 23/12/1950.
Ordenação Presbiteral – 24/03/1951.
Chegada ao Brasil – 1/4/1966.
Falecimento – 23/5/1995.


Estudos


Serviços prestados à Ordem/Igreja

Superior delegado (1991-1995), Delegação dos Agostinianos Descalços no Brasil.
Mestre dos professos (1993-1995), Seminário Santa Mônica, Toledo (PR).
Mestre dos noviços (1964-1966), Convento dell’Itria, Marsala – Itália.
Mestre dos seminaristas (1951-1961), Seminário de Scoffera.
Mestre dos seminaristas (1961-1964), Convento della Madonnetta, Genova – Itália.
Vice mestre dos seminaristas (1976-1979), Seminário Santo Agostinho, Ampére (PR).
Pároco (1980-1988), Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Salto do Lontra (PR).
Pároco (1988-1995), Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Ouro Verde d’Oeste (PR).
Vigário paroquial (1966-1968; 1973-1976), Paróquia Santa Rita, Ramos/Rio de Janeiro (RJ).
Vigário paroquial (1968-1973), Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Bom Jardim (RJ).


1. Frei Angelo na Itália

Desde os primeiros anos do seu sacerdócio Frei Angelo trabalhou em prol das vocações. Na Itália foi mestre dos seminaristas em Scoffera (1951-1961) e em Genova (1961-1964); foi mestre dos noviços em Marsala (1964-1966). Aos 18 de março de 1966 partiu para o Brasil. Sua grande paixão foi sempre as vocações religiosas e sacerdotais. Também sua irmã é freira das irmãs da Caridade da Santa Cruz. Destacamos um testemunho de um de seus seminaristas da época, que depois foi superior geral de 1987-1999.

Frei Angelo queria nos convencer a fazer com o mesmo ardor e entusiasmo o que ele fazia; queria a todo custo, nos levar a amar totalmente Jesus e Maria, a nossa vocação de Agostinianos Descalços e sacerdotes da Igreja. O seu amor por nós era feito de gestos simples e convincentes, de palavras essenciais e repetidas várias vezes. Não era – e não queria parecer – um educador formado nos textos de pedagogia e psicologia; nos ensinava simplesmente aquilo que ele, por primeiro, acreditava e vivia. Éramos fortemente convencidos da sua integridade de homem, religioso e sacerdote. Nunca o encontramos em atitude de “relax”. De resto, nem sabia o que fosse recreação, pois tinha o hábito de utilizar todo 0 tempo disponível em atividade de proveito para a casa: cozinha, limpezas, horta, etc. O seu dia era extremamente metódico, cada momento guiado pelo seu “horário pessoal”, que enriquecia sempre com momentos de oração e de vida interior. Costumava também escrever um diário no qual registrava as suas impressões sobre fatos e pessoas: mas não foi encontrado entre os seus papéis. Evidentemente queria que tudo fosse protegido com reserva absoluta. A sua espiritualidade era muito simples e profunda, nem rígida nem desleixada. Rezava sempre, sobretudo diante do Sacrário e com o rosário na mão: dali tirava a força vital para as suas atividades apostólicas. Mas sustentava o seu espírito também com o hábito de verdadeira penitência corporal, que abraçava com todos os cinco sentidos. Em resumo, queria ser todo de Cristo crucificado e assemelhar-se a Ele na humildade, obediência, desapegado de tudo e de todos, espírito de sacrifício e de oblação (Frei Eugênio Cavallari).

2. Frei Angelo em Ramos/Rio de Janeiro (RJ)

Frei Angelo trabalhou em Ramos/Rio de Janeiro (RJ) os períodos de 1966-68 e 1973-76. Em todos os lugares onde trabalhou tinha um carinho todo especial pelos doentes. Destacamos deste período o depoimento de um casal que conviveu com ele, Orlandino e Lucy Bacacorso. Orlandino foi seu afilhado de crisma.

Agradecemos a especial deferência para conosco nesta singela homenagem que a Ordem dos Agostinianos Descalços presta ao nosso querido e inesquecível Frei Possídio (Angelo). Com muito carinho, vai nossa pequena contribuição. (…) Por ele tenho muita gratidão e carinho pois sempre que podia visitava meus pais e rezava com eles. Era sempre uma visita prazerosa para todos nós, pois tratava-se de um Anjo que o Senhor enviava à nossa família. Meus pais lhe queriam muito bem. Quando minha mãezinha adoeceu ele se fez mais frequente em suas visitas, com orações e bênçãos. De volta para a Igreja, no caminho, visitava doentes da comunidade de Nossa Senhora Aparecida da Praia de Ramos. Preferia ir a pé e não aceitava que eu o levasse. Era muito rápido e dizia: Vou a pé e chego logo. (…) Por seu grande coração era difícil qualquer pessoa presentear Frei Possídio, pois seus presentes iam sempre para os necessitados. Dar para receber, costumava dizer. Lembramo-nos do único presente com que ele ficou: foram os livros da Liturgia das Horas, até porque fizemos uma dedicatória. Seu testemunho permanece vivo no nosso meio e na comunidade. Temos certeza de quelá no céu nunca deixará de interceder pelos numerosos amigos que aqui deixou. Jamais esquecerei meu padrinho! Vi nele um sacerdote santo, fazendo sempre o bem, ajudando a todos e, principalmente, os carentes, como Jesus pede em seu Evangelho. A Ordem dos Agostinianos Descalços tem no céu mais um santo para interceder a Deus por ela. O lema de Frei Possídio a ser seguido por todos nós é: Dar para receber. Fazer para ter. Ir para conseguir (Lucy e Orlandino Bocacorso).

3. Frei Angelo em Bom Jardim (RJ)

Frei Angelo trabalhou em Bom Jardim (RJ) de 1968-1973. Com muita dedicação ajudava os demais religiosos em tudo o que lhe era pedido. Seu desapego sempre foi sua marca registrada. Destacamos um depoimento de um casal que conviveu com ele neste período.

Receamos não citar todos os predicados do Frei Possídio (Angelo), pois foi um homem que viveu, literalmente, à luz do Evangelho que pregava, testemunhando a sua fé de tantas formas. Era extremamente humilde e de coração puro. Viveu a pobreza conforme os votos e obedeceu fielmente a sua consciência, não se deixando, jamais, tentar pelos prazeres do conforto que o mundo oferece e até privando-se da boa mesa e do agasalho. Não conheceu a vaidade e a cobiça. Nada era seu, tudo era para os outros, sendo capaz de doar até seus pertences. Seu semblante era suave e transparente como a sua alma. Nunca mediu esforços para o trabalho em favor dos pobres e dos vocacionados. Sua luz tocava os seus colaboradores e benfeitores, e muitos se converteram. Foi extremamente contrário às crendices populares, não por mera oposição, mas para que o Cristo fosse conhecido e amado por todos. Sempre buscou a intercessão da Virgem Maria e incentivou a devoção a ela. Seu exemplo de  santidade e fidelidade à Igreja ficará sempre na memória dos que o conheceram (Adalton e Ângela Carriello).

4. Frei Angelo em Ampére (PR)

Frei Angelo, juntamente com Frei Antônio Desideri, começaram a  trabalhar em Ampére (PR) no dia 14 de março de 1976. Já no ano seguinte deu-se início à construção do Seminário, que segundo o próprio Frei Angelo seria o coração da Ordem no Brasil. Em fevereiro de 1978 o seminário abriu | as portas ao primeiro grupo de seminaristas. Destacamos o testemunho do atual prior provincial, que conviveu vários anos com Frei Angelo.

Ingressei no seminário de Ampére em 1982. Conheci muito bem Frei Angelo. Lembro-me quando vinha do Salto do Lontra, onde era pároco. Chegava com seu fusca abarrotado de mantimentos dos mais variados tipos: mandioca, batata, feijão, frutas, frango, até porco, etc. Grande era sua preocupação em ajudar a manter o seminário, naquela época, com aproximadamente 50 seminaristas. Após descarregar o fusca colocava um calção e ia trabalhar na roça conosco. Caminhava pelo seminário sempre nos orientando a aproveitar o tempo, não podia ver ninguém parado. No refeitório percorria as mesas para ver se ninguém tinha sobrado nada no prato; ele dizia que a comida é dom de Deus, e muitas famílias com sacrifício nos ajudavam, não queria que ninguém desperdiçasse nem um grão de arroz. Todo tempo livre que ele tinha ficava na capela com seu livro de oração na mão. Sua postura na capela era sempre piedosa. Fazia a genuflexão dobrando o joelho até o chão, com o corpo reto e (3 as mãos postas, de maneira perfeita; e nos ensinava a fazer o mesmo. Confidenciou-me uma vez, quando eu era estudante no Rio de janeiro, que nunca tinha feito nenhum pecado grave contra a castidade e a pureza do coração. Quando voltava do Rio de Janeiro, enfrentando 20 horas de ônibus, seu alimento era apenas algumas bananas e dois ou três pães franceses; não gastava nada para si, era totalmente desapegado dos bens deste mundo; como falou Dom Agostinho: pobre no vestir, pobre no comer, pobre por opção (Frei Vilmar Potrick).

5. Frei Angelo em Salto do Lontra (PR)

O Frei Angelo celebrou a primeira missa como pároco em Salto do Lontra (PR) aos 03 de maio de 1980 como ele próprio relata no Livro Tombo: 3 de maio de 1980 – O Frei Angelo às 17h celebrava a sua primeira S. Missa, como Pároco, na Paróquia do Salto do Lontra, iniciando assim o seu apostolado aqui com a bênção do Sr. Bispo DiocesanoDois anos depois iniciou a construção da atual igreja matriz: 24 de maio de 1982 – Hoje inicia os trabalhos da construção da nova matriz aqui no Salto do Lontra. Na celebração da S. Missa se fez particular pedido e pela obra da construir e pela proteção dos trabalhadoresForam anos de intensas atividades apostólicas. Por exemplo: 20 de setembro 1983 – Fui na comunidade de São Pio X para a bênção das casas iniciei às 8h30 da manhã e fui acabando às 21h30 da noite, passando em 86 famílias. A impressão foi de uma comunidade boa, pobre, humildeAssim ele fez em tantas outras comunidades. Neste período (7 anos e 10 meses) foram realizados aproximadamente  3570 batizados, 2904 primeiras comunhões, 1194 casamentos e 2198 crismas. Muitas foram as capelas construídas, os barracões, as comunidades novas em escolinhas e uma nova capela na cidade. Uma das celebrações que com certeza mais agradou o Frei Angelo foi: 1 de fevereiro de 1987 – vestição do hábito religioso a 17 seminaristas agostinianos… Suas últimas linhas registradas no livro Tombo: 3 de março de 1988 – Hoje à tarde acabou a visita programada a todas as comunidades e escolinhas da paróquia. O tempo permitiu completar todo o roteiro. O povo em geral participou numeroso testemunhando o carinho e a saudade do povo. Vários presentes o padre ganhou do povo em geral… Os trabalhos da nova matriz estão continuando… Deixo a paróquia depois de 7 anos e 10 meses agradecendo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida por tudo aquilo que conseguiu-se realizar para a glória de Deus e o bem do povo. Deo Gratia et Mariae (Frei Angelo Carú, oad).


6. Frei Angelo em Toledo (PR)

Frei Angelo morou em Toledo (PR) de 1988-1995. Neste período exerceu várias funções: Pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida de Ouro Verde do Oeste (PR); Mestre dos professos; Prior da comunidade e Superior Regional da delegação brasileira. Aos 03 de outubro de 1982 Frei Angelo foi para Itália para fazer uma arrecadação.

Seu testemunho de religioso e sacerdote foi verdadeiramente exemplar: Como Agostiniano Descalço escolheu pertencer tudo a Jesus Crucificado, querendo conformar-se a Ele na humildade, na obediência, na pobreza, na oblação perfeita de si; como sacerdote empregava suas energias para “fazer-se tudo a todos” pela salvação das almas. Este foi seu constante ideal e programa de vida. Todos ficavam admirados pela sua simplicidade, sua piedade, seu fervor, sendo levados a amar Jesus e Maria. Venerava particularmente Nossa Senhora como mãe sob o título de Nossa Senhora Aparecida. Na vida de comunidade era exemplar: escolhia sempre o último lugar e os trabalhos mais pesados, dando tudo de si para o bem da casa e da Ordem. Era muito chegado aos confrades, em particular aos doentes e pessoas de idade, amava como pai os seminaristas, noviços e clérigos. Tinha seu jeito de apreciar as pessoas, desconhecia a crítica, o desânimo e a vida cômoda. Era assíduo no trabalho pelas vocações e pela formação dos aspirantes à vida religiosa. Pela construção das cinco casas de formação no Brasil contribuiu estendendo a mão com humildade junto de confrades, amigos e benfeitores: suas férias na Itália acabavam servindo somente para esse fim. Incansável em prestar socorro onde houvesse necessidade, visitava continuamente as casas da Delegação, buscando a maneira de fazer sempre novo apostolado humilde e silencioso. Era um homem de Deus, vivendo sempre na oração e devotado para o bem das almas (Necrológio de Frei Angelo).

7. Frei Angelo em Ouro Verde d’Oeste (PR)

Frei Angelofoi pároco de Ouro Verde do Oeste (PR) por mais de 7 anos, desde o início de 1988, como ele mesmo escreve no livro tombo: Aos 14 dias do mês de fevereiro, do ano mariano de 1988, tomei posse na paróquia Nossa Senhora Aparecida, na presença do Sr. Bispo Diocesano Dom Lúcio Ignácio Baungartner, demais sacerdotes e do povo da comunidade cristã de Ouro Verde. Seu último dia como pároco de Ouro Verde foi dia 23 de maio de 1995, quando voltou para casa do Pai. Frei Angelo deu continuidade ao projeto da construção da torre da igreja matriz: 10 de abril de 1988 – Inicia-se neste mês a construção da nova torre da igreja matriz. Será um monumento de fé e união da comunidade e uma lembrança perene do ano mariano que estamos celebrando. Será também uma lembrança viva do amor, da dedicação do Frei Luis Bernetti que guiou a paróquia com sabedoria e amor por cinco anos. A torre foi inaugurada no dia 24 de julho de 1988, durante a festa de São Cristóvão. Enquanto era pároco de Ouro Verde Frei Angelo ajudava no Seminário Santa Mônica de Toledo, sendo Mestre dos professos e também superior regional do Brasil. Neste período foram realizados 1063 batizados, 786 primeiras comunhões, 932 crismas e 327 casamentos. O poder público de Ouro Verde d’Oeste, homenageou 0 Frei Angelo, colocando o seu nome em um bairro da cidade.


8. Frei Angelo em Nova Londrina (PR)

Frei Angelo não morou em Nova Londrina (PR), mas muito trabalhou para ajudar a construir aquele seminário e como Superior do Brasil (1991-1995), fez muitas visitas àquela comunidade, que por muitos anos foi sede de noviciado aqui no Brasil. Os Agostinianos Descalços marcaram presença naquela comunidade desde a chegada do Frei Vicente Mario Sorce em 1978. Em 1993 se instalou na cidade a primeira turma de noviços na casa paroquial. No ano seguinte já foi inaugurado o novo seminário.

Padres Agostinianos Descalços, eu recebi uma graça, eu Jaci Ferreira Marcondes, fiquei muito feliz e curada e já fazem três anos [2014]. Uma graça do Frei Angelo Possidio Carú de Jesus Crucificado, Agostiniano Descalço. Hoje fazem 19 dias que estava sofrendo muito com uma gripe e tosse que não estava mais aguentando, corri e rezei a novena e pedi a minha cura, daquela hora eu só fui melhorando. Quero de novo receber mais uma graça. Se Deus quiser eu vou ficar curada. Senhores padres peço que rezem muito por mim porque estou sempre doente e sou uma filha de Deus, moro aqui em Nova Londrina, na rua Amazonas 152 no conjunto João Paulo II. Eu Jaci Ferreira Marcondes. Deus lhes abençoe.

9. Frei Angelo e a devoção à Virgem Maria

Ambos os Bispos, de Toledo e de Palmas, por ocasião do funeral do Frei Ângelo, salientaram a devoção dele pela Virgem Maria, lembrando que ele sempre encerrava as celebrações com o canto Dai-nos a bênção, ó mãe querida, Nossa Senhora Aparecida. Dom Agostinho, de Palmas, foi ainda mais enfático ao dizer: …creio que ele mantinha colóquios espirituais com a Virgem, por causa do modo que lhe era devoto. Em suas viagens, com seu fusquinha, de Ampére a Toledo, de Toledo a Nova Londrina nunca se contentava em rezar apenas um terço, seguidos de cânticos dedicados a Nossa Senhora, é o que testemunham todos os que viajavam com ele.


10. Frei Angelo, um missionário incansável

Dom Clemente José Carlos Isnard, Bispo Emérito de Nova Friburgo (RJ), na visita pastoral que fez na paróquia de Santa Rita de Euclidelândia, depois que Frei Angelo tinha saído há muito tempo disse a um religioso da Ordem: Frei Angelo foi um verdadeiro missionário. Ainda se percebe em todas as comunidades da paróquia as marcas de sua
presença.

Sobre sua alma missionária testemunha Frei Eugênio Cavallari, Prior Geral de 1987 a 1999: A sua decisão de partir para o Brasil era de fato em consonância com o endereço pastoral e espiritual de sua vida. Ele era um missionário nato, feito para as situações “de fronteira”, para abrir novos horizontes e novos espaços para nossa Ordem.

Dom Agostinho falando do Frei Angelo elogiou o seu zelo apostólico consciente das necessidades da Igreja que iria dar início a uma nova missão no longínquo Mato Grosso, onde seu zelo missionário e apostólico fez sentir a falta de sacerdotes.

Naquela época não foi possível realizar este sonho. No dia 06 de fevereiro de 2011, Dom Gentil de Lazari, da Diocese de Sinop, acolheu os Agostinianos Descalços em sua Diocese, entregando-nos a Paróquia Papa João XXXIII de Colíder (MT). Realizamos assim, depois de 16 anos, o sonho missionário do Frei Angelo. Em 2016 assumimos outra paróquia em Nova Ubiratã (MT). Já tivemos três ordenações no Mato Grosso: Frei Marcos Mezzalira, Frei Salésio Kriger e Frei Luiz Tirloni.


11. Frei Angelo, nosso querido avô

Nos últimos anos da vida do Frei Angelo nós o chamávamos carinhosamente de avô. De fato ele se questionava: Será
possível que vamos morrer sem deixar filhos e netos? Convidava, insistia, buscava em casa. Nada era empecilho para ele conquistar uma vocação. Muitos testemunham que sua vocação nasceu após o convite do Frei Angelo. Com seu entusiasmo, também foi o motivo da perseverança de muitos. Sua maior alegria nesta terra era participar das ordenações sacerdotais. A primeira delas foi do Frei Moacir Chiodi, depois do Frei Álvaro Antônio Agazzi, do qual reportamos aqui o testemunho vocacional. Outras ordenações se seguiram: Frei Gilmar, Frei Edecir, Frei Jurandir…

No início de 1980 meu pai e meu irmão, junto com meu tio e um primo, foram visitar os avós em Salto do Lontra, na Linha Carmélia. De volta para casa, o fusca furou um pneu. Enquanto faziam a troca, chegou um senhor desconhecido, de fusca também, oferecendo sua ajuda. O pai e o tio então perguntaram de onde vinha; ele se apresentou dizendo que era Frei Angelo e trabalhava no Seminário de Ampére. E já aproveitou, do seu jeito, para perguntar aos dois rapazes (Adilson, meu primo e Romildo, meu irmão): vocês dois já pensaram em ser Padre? Os dois se assustaram até porque nunca tinham ouvido falar em Seminário. Frei Ângelo pediu o endereço para fazer uma visita à nossa família. O que aconteceu uns dias depois. Chegou, almoçou e ficou muito contente ao ver os 10 filhos homens do Sr. Anilo e Dona Angelina, todos sentados, tímidos e envergonhados apesar da idade. Lançou novamente a mesma pergunta: será que dos dez só o Romildo quer ir para o Seminário? Eu timidamente levantei o braço. Pediu-me, então, que me sintonizasse com a Rádio Ampére, na quinta-feira, às 12h15 e escutasse o programa “A voz do Seminário”, para ficar sabendo se teria ainda vaga para ingressar naquele ano. Fiquei ansioso até receber a notícia positiva, que me deixou contente e aos 28 de fevereiro de 1980, entrei no seminário” (Frei Álvaro Antônio Agazzi).

12. Frei Angelo, o amigo dos pobres

Com Certeza Frei Angelo sentiu grande alegria ao estar com o Papa João Paulo II, por ocasião dos 400 anos de história dos Agostinianos Descalços em 1992. Tamanha alegria sentia também quando podia ajudar os pobres conforme nos conta Dom Luis Bernetti, confrade e grande amigo do Frei Angelo.

Como sacerdote, era o nosso Frei Angelo. Indiscutivelmente exerceu seu ministério, santificando o povo de Deus. Com pequenos gestos, como ficar na porta da Igreja cumprimentando os adultos e brincando com as crianças, ou repartindo seu alimento com as crianças da rua, ele edificava 0 seu rebanho. O entusiasmo ao celebrar a Santa Missa, ele fazia com que os fiéis se empolgassem, e os incrédulos, no mínimo se questionassem… Por isso quero apenas lembrar alguns episódios que poderia chamar Fioretti do Frei Angelo: Bom Jardim, estado do Rio de Janeiro tempo de inverno, que em Bom Jardim, que está a uma boa altura do nível do mar, o frio se faz sentir bem, sobretudo na madrugada e nas primas horas do dia. O meu quarto ficava na frete do único banheiro da casa. Senti quando o Frei Angelo se levantou, era sempre o primeiro, logo ia na Igreja. Pouco tempo depois de ele ter saído, escutei um barulho, eram os passos dele, mas senti que não estava sozinho, algo estava acontecendo, não levantei para ver, porque o calor dos cobertores falaram mais forte da curiosidade. Mais tarde, na hora do café perguntei: Frei Angelo, que aconteceu hoje de manhã, que você voltou em casa e fez barulho? Não aconteceu nada não, respondeu, mas com um tão de voz que não convencia. Depois disse, quando cheguei na Igreja, encontrei na frente da porta da entrada um mendigo dormindo. O trouxe em casa, dei banho, dei vestes, porque as que usava eram todas rasgadas, e café. Outra vez, Frei Angelo foi visitar o padre André Boaventura pároco de Cordeiro. Este padre tinha recebido algumas caixas de remédios e nas caixas com os remédios havia também outras coisas e algumas camisas. O padre deu de presente uma bela camisa ao Frei Angelo que a recebeu com muito prazer e agradeceu. No caminho de volta, encontrou um casal de velhinhos a pé, parou perguntou onde iam e deu carona, na hora de deixá-los pegou a camisa e a deu ao velhinho (Dom Frei Luís Vincenzo Bernetti).

Breve biografia de frei Angelo…

XIV Congresso FABRA, São Paulo (SP)

“A nossa liberdade é esta: estar sujeito à Verdade!” (Santo Agostinho, O Livre Arbítrio, II, 13, 37)

Entre os dias 15 e 19 de janeiro aconteceu o XIV congresso da FABRA, Federação Agostiniana Brasileira, entidade que reúne todas as famílias religiosas agostinianas presentes no território nacional. O congresso ocorreu no centro Santa Fé, Perus/São Paulo (SP). O evento acontece a cada três anos e nessa ocasião participaram cerca de 200 pessoas: religiosos(as), leigos(as) e professores(as) de diferentes regiões do Brasil, que comungam da mesma espiritualidade agostiniana.

O tema do congresso foi: “A liberdade em Santo Agostinho”, tendo sido desenvolvidos encontros, palestras, momentos de partilha e oração. Nossa Província foi representada por seis religiosos: frei Vilmar, frei Márcio, frei Calógero, frei Jairo, frei Antônio (que faz parte da equipe de organização do Congresso) e frei Diones (que ministrou um momento de reflexão com o tema: “A liberdade na perspectiva Bíblica”).

Frei Jairo Itamar dos Santos

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Encontro vocacional no Seminário de Yguazú, Paraguai

N fim de semana dos dias 20 e 21 de janeiro, nossos confrades do Seminário Santo Ezequiel Moreno, Yguazú – Paraguai, realizaram o 3º encontro vocacional para jovens a partir de 16 anos ou que irão iniciar o 9º ano do ensino fundamental. Um fim de semana para vivenciar a espiritualidade agostiniana e refletir sobre o chamado divino à vida religiosa e sacerdotal. Participaram do encontro 24 jovens da própria cidade de Yguazú e cidades vizinhas. Nossas orações pelas vocações e pela perseverança dos vocacionados.

Encontro dos Frades 2018, Toledo (PR)

Nossa Província realiza, tradicionalmente, um encontro anual de confraternização, formação e programação das atividades que serão desenvolvidas ao longo do ano. No início desse ano, os religiosos se reúnem na comunidade Santa Mônica, Toledo (PR), ao longo de uma semana, no 37º Encontro dos Frades.

O tema de formação foi a atualização das Constituições promovida pelo último Capítulo Geral, Frei Getulio Freire Pereira foi o assessor dos momentos de formação. Dentre os momentos de celebração, ocorreu a renovação dos votos religiosos.

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Vestição religiosa e profissão simples, Ouro Verde d’Oeste (PR)

No dia 7 de janeiro de 2018, a paróquia Nossa Senhora Aparecida, Ouro Verde d’Oeste (PR), acolheu nossos confrades, amigos e benfeitores para celebrar um importante evento religioso de nossa província: a vestição religiosa dos postulantes Jean, Jociel e Milcíades, juntamente com a profissão simples dos noviços frei Ádrian e frei Michael. O prior Provincial frei Vilmar Potrick presidiu a celebração da Missa e recordou que a festividade litúrgica da Epifania do Senhor era um momento propício para a vestição e a profissão, pois os religiosos tradicionalmente renovam os votos nessa data. Após a celebração, ocorreu um almoço festivo no salão paroquial.

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Retiro para postulantes e noviços, Ampére (PR)

Durante os dias 2-6 de janeiro de 2018 estiveram reunidos em retiro no Seminário Santo Agostinho, Amperé (PR), os postulantes Jean, Jociel e Milcíades em preparação à vestição religiosa, juntamente com os noviços frei Adrián e frei Michael em preparação à profissão temporária dos votos. Ao longo da semana frei Alex Cândido da Silva conduziu reflexões sobre a vida religiosa à luz da teologia agostiniana, de modo especial sobre os votos de pobreza, castidade, obediência e humildade, voto esse de exclusividade dos Agostinianos Descalços. Nosso desejo e oração para que eles sejam fieis ao chamado divino e produzam frutos em suas vocações. Santo Agostinho… rogai por nós.

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Presença Agostiniana nº 195

Revista Ide e Anunciai 38. OAD: para sempre gratidão

Evaldo José Palatinski

Olá, eu sou Evaldo José Palatinsky e gostaria de dividir um pouquinho da minha trajetória com você. Minha história com os Agostinianos Descalços começou num verão bem quente de 1983. Na casa de madeira, bem pobrezinha, chão batido e algumas frestas nas paredes, onde vivíamos os 7 irmãos mais o pai e a mãe, um dia apareceram 2 freis (Álvaro, que mais tarde se tornaria um grande amigo, e Doriano, que já no seminário, seria um verdadeiro pai para mim). O convite para deixar o duro trabalho de boia fria e partir para Ampére, me fez exultar de alegria nos meses finais daquele ano. Imagine! Entrei para cursar o Ensino Médio, antigo Segundo Grau, e passei 3 anos estudando no Cecília Meirelles. Depois, Toledo e Rio de Janeiro. Foram 9 anos de estudos e aprendizagens. Foi um tempo fecundo de descobertas e crescimento que impactaram minha vida para sempre: rotina, oração, estudo, recreio, ensaios, cursos, palestras, aulas… Ama et fac quod vis (ama e faze o que quiseres), Canta e Camina (canta e caminha)… Sero te amavi (Tarde te amei)… o latim, o grego, o italiano, os cantos e as músicas. Quanta saudade!

Saí no ano de 1993 e fui à luta. Comecei dando aulas para uma turminha do 3º ano do Ensino Fundamental I, no Pirlim Pim Pim, no Rio. Depois fui trabalhar com alunos maiores. Um dia surgiu uma oportunidade de fazer um curso de locução e aí começou minha história com o rádio.

Encontro dos ex-seminaristas, Ampére (PR),
dezembro de 2017.

Esse curso me abriu portas para um trabalho que envolveu 20 anos da minha vida: narração esportiva. Tive o privilégio de ser narrador da rede CBN e da Rádio Globo do Rio nas Copas do Mundo da Alemanha, da África do Sul e do Brasil.
Foram muitas viagens e muitas histórias em tantos campeonatos diferentes acompanhando os clubes do Rio de Janeiro.
Em paralelo, jamais deixei minha missão no magistério, onde atuo ainda hoje e sou muito feliz. Não tenho dúvidas de que só cheguei até aqui graças à formação que recebi em meus anos de estudos com os agostinianos: o respeito ao outro e às diferenças, a fé, a perseverança, a humildade…quantos valores ficaram impregnados no mais profundo de minha alma. Quantos e quantos amigos! Freis, benfeitores, colaboradores, professores… nomeá-los seria injusto, porque certamente esqueceria de alguém. Meu sentimento é somente de gratidão. Um caminho que percorreria de novo, sem a menor dúvida. Encerro com um dos fragmentos preferidos de Santo Agostinho em uma de suas obras mais conhecidas, as Confissões: “Fizeste-nos, Senhor, para Vós! E, inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar em Vós”.
Uma vez agostiniano inquieto, eternamente inquieto! Muito obrigado, OAD!

Família de Evaldo José Palatinski.

A Província dos Agostinianos Descalços do Brasil, agradece a todos que fizeram parte da sua história e que continuam, de uma maneira ou de outra fazendo parte desta grande família…
‘’Uma alegria partilhada com muitos é maior  para cada um’’ (Santo Agostinho).

Dona Benvenuta

Benvenuta Helide Favretto nasceu em Veranópolis (RS), no dia 03 de novembro de 1915. Era filha de Enrico Favretto e Ana Angonese, tendo como avós paternos Gioacchino Favretto e Maria Ceccato, e como avós maternos Luigi Angonese e Lúcia Pigato. Ficou órfã aos 14 anos de idade, quando sua mãe veio a falecer em 1929, em conseqüência de um parto mal sucedido. Como era a 2ª de oito irmãos, teve que cuidar de seus 6 irmãos menores que ela, inclusive renunciando ao casamento para poder encaminhá-los. Permaneceu na casa paterna até os 41 anos de idade, isto é, 1956. Nesse ano mudou-se para Gaurana para trabalhar num hospital, que era administrado por freiras. No hospital ela trabalhou até 1964, quando a convite da diretoria da igreja matriz Santa Teresinha de Ampére e seu pároco Padre José Bosmans, veio trabalhar em nossa paróquia recém fundada. Ao longo de 36 anos, desde abril de 1964, aos últimos dias da sua vida trabalhou na casa canônica, auxiliando os padres na sua missão. Faleceu aos 27 de junho de 2000, aos 84 anos de idade.

Frei Nicola Spera, Einetes Spada, Dona Benvenuta, Ninetta, Claudete Simionatto.

Com esta simples homenagem a Dona Benvenuta a Província dos Agostinianos Descalços quer agradecer os inúmeros colaboradores da nossa missão. Todos os que nos ajudaram e ajudam nos seminários, nas paróquias, nos colégios.

Ângela e Adalton Cariello

A gratidão de Bom Jardim à Ordem dos Agostinianos Descalços é de longa data. Os primeiros vieram da Itália, adaptaram-se ao nosso jeito. Como se diz macarrão sempre, arroz e feijão bem-vindos também.

A alegria contagiante de Frei Francisco, mesmo que às vezes estivesse em apuros, como certa vez que foi visitar uma comunidade, também montado num burrico, como o Mestre. Prepararam a recepção e quando o avistaram soltaram foguetes. O animal se assustou e o jogou no chão. Ou quando foi batizar uma criança já maiorzinha, que ao sentir a água fria na cabeça xingou a mãe do padre. Muitos outros episódios, contava e ria na simplicidade e pureza do seu coração. Professor de história logo foi apelidado de Frei Bolinha. E atendia solícito.

Frei Luis Bernetti e Frei Antonio Desideri chegaram para animar os jovens. Aí chegou Frei Possídio. Não faltava mais nada. Formaram o primeiro grupo de jovens. Fizeram um lindo trabalho. Possídio transbordava caridade. Importantíssimo para toda a comunidade: a construção do Colégio Santo Agostinho: que proporciona desde sempre educação de qualidade, boa formação moral e religiosa. Por hora nosso seminário está desativado. Porém toda comunidade reza pelas vocações. Sempre choramos com os que partem e nos alegramos com os que chegam. Com a ajuda dos frades construímos capelas. A igreja matriz foi demolida e a obra concluída em dois anos e meio. A obra da praça da matriz construída sem nenhuma ajuda do poder público. E agora o sonho do centro pastoral que vai se realizando.
Obras materiais firmadas, porque com os frades ao longo do tempo refletimos sobre nossas atitudes, nos reconhecer pecadores e buscar a conversão. E assim cada um de nós pode sentir a dimensão pessoal da fé se manifestar e concretizar na comunidade unida como frutos das sementes lançadas pelos frades. Hoje, o trabalho pastoral é mais abrangente. E com a graça de Deus nosso pároco é incansável.

Uma Palavra de Gratidão aos Amigos e Benfeitores
Como o Adalton e a Ângela de Bom Jardim (RJ), nestes 70 anos, a Ordem no Brasil encontrou muitos amigos e benfeitores. Quantas famílias ofereceram seu carinho, sua atenção, seu tempo, seus bens aos frades e aos seus projetos. Recorda-se aqueles que doaram terrenos para construção dos seminários, de capelas e outras obras. Quantas famílias fizeram e fazem parte da Pastoral Vocacional em nossas paróquias e seminários. Quantas promoções para angariar fundos para construir e, depois, para manter a obra vocacional. Quantos coordenadores de pastorais e movimentos em nossas comunidades paroquiais colaboram com os párocos na evangelização. Quantos conselhos econômicos deram tudo de si para construir igrejas, capelas, centros de pastoral e outros espaços para a evangelização. O povo é maravilhoso, é guerreiro, é dedicado. Sem vocês amigos e benfeitores a Ordem não estaria onde está. A vocês a gratidão de todos os frades Agostinianos Descalços e o desejo de continuar contando sempre com a valiosa colaboração de todos.

Revista Ide e Anunciai 37. Constituições OAD

Constituições dos Agostinianos Descalços

Toda e qualquer organização religiosa ou civil, tem suas normas, suas leis, que regulam a vida de todos que fazem parte daquela família religiosa, daquela Igreja, daquela sociedade. Assim, os Agostinianos Descalços também tem suas normas de vida, desde o início da sua história em 1592. As primeiras Constituições remontam do ano 1598. De lá para cá foram feitas várias atualizações para estarem sempre em sintonia com o caminhar da Igreja e da sociedade, mas sempre procurando manter o espírito das primeiras Constituições. Com o Concílio Vaticano II (1962-1965), toda a Igreja foi convidada a uma grande revitalização de sua vida e de suas normas. Da mesma forma os Agostinianos Descalços, após o Concílio Vaticano II, entre os anos 1969 a 1981 fizeram um novo texto das Constituições, promulgadas em 1984, pelo então Prior geral, Frei Felice Rimassa. O Capítulo geral de 2017, como vimos no artigo anterior, fez algumas atualizações, que ao longo dos anos, se tornaram necessárias. A seguir apresentamos os primeiros números das Constituições que nos ilustram a natureza, a espiritualidade e a finalidade da Ordem dos Agostinianos Descalços.


Natureza, Espiritualidade e Finalidade da Ordem

01 – A Ordem dos Agostinianos Descalços (Ordo Augustiniensium Discalceatorum) (OAD) é um instituto clerical isento, de direito pontifício. Seus membros, clérigos e irmãos coadjutores, aos votos de castidade, pobreza, obediência, acrescentam um quarto, o de humildade, seguindo o exemplo e o ensinamento de Santo Agostinho, seu Pai e Fundador.

02 – A Família dos Agostinianos Descalços compreende também as Religiosas Agostinianas Descalças, a Terceira Ordem Regular e Secular, e outras associações adjuntas, segundo a norma do direito universal.

03 – A exemplo de Santo Agostinho e da primeira comunidade agostiniana de Tagaste, nosso intento de agostinianos descalços é alcançar, com o auxílio da graça, a perfeição do amor evangélico, buscando a ,Deus e alegrando-nos comunitariamente numa peculiar atitude de humildade porque Deus é bem comum, não particular sendo tam.bém o maior de todos os bens.

04 – Cientes de sermos criados à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino, em nosso trabalho espiritual comum tendemos a:;- Tornar nítida sua imagem, impressa em nossa alma, porém ofuscada pelo pecado;;- Vir a ser “posse” de Deus;.- Edificar-nos como templo de Deus: Ele, de fato, “habita em cada um de nós fiéis como em outros tantos templos seus e nos fiéis reunidos em comunidade como no seu templo”.

05 – Inseridos pelo batismo no mistério de Cristo e da Igreja, mãe que gera os mosteiros, queremos viver a densidade deste mistério:
– Colocando nosso fundamento e nossa esperança em Cristo, caminho e fim da nossa caminhada de fé;
– Imitando fielmente Cristo na alegria do cântico novo;
– Tornando-nos membros escolhidos do corpo místico, o Cristo total;
– Empenhados na edificação da cidade de Deus;
– Oferecendo-nos diante do mundo como modelo de pequena Igreja, sendo a comunidade a parte mais nobre da veste de Cristo.

06 – Nossa prioridade é a vida contemplativa. Ela:
– Reúne-nos na interioridade, diante da dispersão exterior porque “o amor da verdade busca a santa quietude”;
– Dispõe ao dialogo sobrenatural com Deus, tanto pessoal como comunitário;
– Torna dóceis às moções do Espírito Santo;
– Induz a viver nossa vida como perene louvor a Deus, pois “a maior obra do homem é somente louvar a Deus”;
– Dispõe ao estudo da Sagrada Escritura e das coisas divinas.

07 – “A necessidade da caridade exige reto agir”. Por este motivo, a contemplação agostiniana deve ser ela mesma apostolado fecundo e busca apaixonada de formas pastorais que nos propiciem levar o próximo a louvar a Deus, mediante todos os valores: “Enlevai a todos para o amor de Deus… falando, rezando, discutindo, raciocinando com mansidão, com ternura”.

O apostolado é determinado pela necessidade dos tempos e regulado pelas diretrizes da Igreja e dos superiores. Insere-se na realidade viva da Igreja local, abre-nos para as dimensões da Igreja univ:ersal, que amamos e servimos com amor todo especial.”Corramos, portanto, meus irmãos, corramos e amemos a Cristo… desdobra tua caridade no mundo inteiro, se quiseres amar Cristo, porque os membros de Cristo se estendem no mundo inteiro. Se amares só urna parte, estarás dividido, não estarás mais unido ao corpo”.

08 – Fiéis aos princípios da Regra: “O motivo essencial pelo qual vos reunistes em comunidade, é para que vivais unanimes na casa e exista entre vós uma só alma e um só coração, orientados para Deus”35, realizamos nossa ascese na plenitude da vida comunitária, segundo o modelo da primeira comunidade de Jerusalém.
A alma da vida comum é a caridade. Ela:
– “Modera a alimentação, as conversas, o modo de vestir e as atitudes”;
– Não deixa possuir nada em particular;
– Vivifica a atividade apostólica dos indivíduos, de modo que exprima a unidade dos corações: “Muitos corpos, mas não muitas almas; muitos corpos, mas não muitos corações”;
– Cultiva o diálogo e a amizade espiritual;
– Visa a formar “urna só alma, a única alma de Cristo”, sem mortificar a personalidade de cada religioso, antes, revigorando-a e fazendo-a crescer mais.

09 – Atentos ao chamado de Jesus e cientes de que nos encaminhamos “para as alturas, com os pés da humildade”, nós, Agostinianos Descalços, temos o propósito de testemunhar peculiar atitude interior de humildade que:
– Favorece a pobreza, a mortificação e o desapego do mundo;
– Forma mãos disponíveis ao serviço de Deus e do próximo;
– Facilita a vida fraterna na comunidade.
Esta é a significação espiritual mais profunda do voto de humildade e do nudipédio. “Entra descalço nesta terra, pois é santa. Desnuda os pés, isto é, os afetos de tua alma, para que fiquem nus e livres”.

10 – No espirito de nossas tradições, contemplamos em Maria a Mãe da Graça e dos fiéis, o modelo de vida consagrada e o modelo perfeito da Igreja. Ela alimenta com suaves afetos a vida do coração e faz da comunidade uma família. Veneremos Maria com profundo afeto filial e com o peculiar título de “Mãe da Consolação”, e apresentemo-la aos fiéis como sinal de esperança e de consolação do peregrinante povo de Deus.


Viveram o carisma Agostiniano Descalço…

Frei Giovanni Nicolucci (1552-1621).

Frei Carlo Giacinto Sanguinetti (1658-1721).

Frei Santo de São Domingos (1655-1728).

Frei Luigi Chmel (1913-1939).


São exemplo de vida para nós hoje…

Encontro Anual dos Frades, Toledo (PR),
2017.

Revista Ide e Anunciai 36. LXXVIII Capítulo Geral – 2017

Nunca nos abandonaste e, no entanto, sentimos dificuldade em retornar para ti. Vamos, Senhor, age, desperta-nos convoca-nos, inflama-nos e arrebata-nos, enche-nos de fogo e doçura! Amemos! Corramos.

Alguns meses já se passaram da celebração do 78° Capitulo Geral da Ordem dos Agostinianos Descalços, mas as doces e calorosas palavras de Santo Agostinho, acima citadas, ainda ressoam de modo intenso aos ouvidos e aos corações de todos os frades, estas de fato guiaram as orações e as reflexões de todos os religiosos da Ordem antes e durante o Capitulo Geral.

A celebração de um Capitulo Geral é sempre um momento especial para cada Ordem religiosa, normalmente acontece a cada seis anos e pela sua sublime importância, sempre é preparado com antecedência para que cada momento, cada decisão, seja tomada com a devida cautela na oração e na plena confiança em Deus.

E foi próprio com plena confiança na Providência Divina e na força do Espirito Santo, que continua sempre abrindo novos horizontes, que a Congregação Plenária de 2016, sem hesitar decidiu de celebrar pela primeira vez no Brasil o Capitulo Geral da Ordem dos Agostinianos Descalços escolhendo como sede o Seminário Santa Mônica de Toledo (PR).

Respondendo prontamente à decisão tomada pela Congregação Plenária a Província do Brasil se organizou e recebeu com alegria os religiosos vindos da Itália, Filipinas, bem como os do Brasil, para a celebração deste evento que, em 2017, coincidiu com os 425 anos de história da Ordem (1592-2017).

Participantes do Capítulo geral.

Os 25 religiosos participantes, cinco representes de cada Província e sete membros da Cúria Geral participantes por direito, tiveram a difícil e desafiadora missão de tratar os mais diferentes temas sobre a vida da Ordem e das Províncias seguindo e observando todas as diretrizes do direito próprio e universal.

Conscientes da grande variedade de temas que poderiam ser abordados durante o Capítulo, os capitulares, após muito dialogarem decidiram escolher alguns que segundo eles pareciam ser mais urgentes. Os temas escolhidos foram:

1. A revisão das Constituições e do Diretório.
2. A formação em seus diversos âmbitos.
3. A formação especifica para os párocos, mestres, ecônomos e priores.
4. A formação à interculturalidade e espírito evangélico.
5. A valorização dos religiosos.
6. Identidade e carisma da Ordem (tradução das fontes nas línguas correntes).
7. Espiritualidade agostiniana (conhecimento dos veneráveis da Ordem).
8. Uma nova organização da Cúria geral.
9. A colaboração entre as Províncias.
10. A Terceira Ordem e os grupos de inspiração agostiniana.
11. As iniciativas missionárias e o cuidado das missões.
12. Promoção vocacional.

Estes pontos guiaram as discussões e os trabalhos tanto em assembleia como em grupo, entre esses temas o que exigiu maior tempo e dedicação foi o da revisão das Constituições e do Diretório.

Sobre a importância da revisão destes dois textos normativos, vale a pena lembrar que já o Capitulo Geral de 2011 tinha expresso claramente o desejo de que tal trabalho fosse feito e sucessivamente também as congregações plenárias de 2014 e 2016, não somente confirmaram tal urgência, mas também trabalharam de modo direto em cima dos diversos números que necessitavam de mudanças. Portanto, os membros do 78° Capitulo Geral se encontraram diante da difícil missão de concluir o trabalho em andamento, tendo, contudo, já em mãos uma base escrita sobre a qual continuar trabalhando.

Quais foram porém, os motivos que levaram os frades do Capitulo Geral de 2011 e as sucessivas Congregações Plenárias a decidirem de realizar este trabalho?

Sem dúvida muitos foram os motivos que afloraram durante estes eventos, mas dois pontos basilares merecem destaque: a evolução dos tempos e a expansão da Ordem em diversos continentes. Com a evolução dos tempos também a Igreja cresce, se desenvolve e se renova assim também as normas que regem um instituto religioso precisam passar por este processo de atualização e renovação. Também a Ordem dos Agostinianos Descalços com o passar do tempo cresceu e se expandiu em terras de missões, novas Províncias nasceram, e consequentemente diversos números dos documentos que regem o governo da Ordem precisavam ser elaborados, revistos ou até criados.

Diante desta necessidade os Padres capitulares reunidos não mediram esforços e trabalharam assiduamente na revisão destes documentos desde a sessão V do dia 26 de abril até a sessão XLI do dia 22 de maio. O resultado foi sem dúvida muito positivo não somente pela conclusão do trabalho da revisão, mas também pela riqueza das discussões sobre outros temas emersos em assembleia ou nos grupos de estudos.

Obviamente o objetivo do Capitulo Geral não era somente tratar da revisão das Leis e Normas próprias, mas é difícil, neste momento, descrever em poucas linhas toda a riqueza do Capitulo para a Ordem, assim como não é possível descrever os inúmeros desafios emersos em todos estes dias de reflexão. Contudo os capitulares seguindo o esquema: agradecer, verificar, programar rever, deixaram a todos os religiosos uma condensada síntese sobre os diversos temas tratados bem como o novo texto das Constituições e do Diretório aprovados provisoriamente para serem apresentados à Santa Sé, estudados e atualizados nas diversas Províncias.

Membros da Cúria geral:
Prior geral: Frei Doriano Ceteroni (Italiano)
Primeiro Definidor geral): Frei Carlo Moro (Italiano)
Segundo Definidor geral: Frei José Valnir da Silva (Brasileiro)
Terceiro Definidor geral: Frei Dennis Duene Ruiz (Filipino)
Quarto Definidor geral: Frei Alejandro Remolino (Filipino)
Secretário geral: Frei Luiz Tirloni (Brasileiro)
Procurador geral: Frei Calógero Carrubba (Italiano)

No final dos trabalhos os capitulares louvando e agradecendo a Deus pelos frutos alcançados convidam todos os religiosos a se alegrarem e a guardarem o futuro cheios de esperança fazendo tesouro das palavras do papa Francisco:
“Onde estão os religiosos, há alegria». Somos chamados a experimentar e mostrar que Deus é capaz de preencher o nosso coração e fazer-nos felizes sem necessidade de procurar noutro lugar a nossa felicidade…Que entre nós não se vejam rostos tristes, pessoas desgostosas e insatisfeitas, porque «um seguimento triste é um triste seguimento». (LaC, II, 1).

Frei Valdecir Soares, oad