LXXVIII Capítulo Geral: Documento Programático

Os Vogais do 78º Capítulo Geral reuniram-se pela primeira vez na história da Ordem fora da Itália, no convento Sta. Mônica em Toledo (Paraná) – Brasil, de 24 de abril a 29 de maio de 2017. À luz das palavras do S. P. Agostinho “Então, Senhor, age, desperta-nos e chama-nos novamente, acende e arrasta, arde, sê doce. Amemos, corramos” (Conf. 8, 4, 9), puseram-se à escuta do Espírito Santo para “agradecer, verificar, programar e revisar” a vida da Ordem olhando para o futuro.


Agradecer

As razões para agradecer ao Senhor são incalculáveis, porque tudo é presente gratuito de Deus, o dom da vida, da fé, da inteligência, da saúde, da vocação religiosa, sacerdotal e comunitária, os tantos belos desejos que nosso coração cultiva, a superação de tantas dificuldades e, às vezes, de perigosas crises.
  1. Os Vogais agradecem ao Senhor, antes de mais nada, pelo amor com que nos tem acompanhado no caminho destes 425 anos de história de nossa família religiosa dos Agostinianos Descalços. Esteve sempre perto de nós, ouviu nossos suspiros, guiou-nos em nossas indecisões (cfr. Conf. 6,5,8), guardou-nos na fidelidade à consagração e à Igreja.
  2. São gratos à Igreja pelo Ano da Vida consagrada e pelos muitos subsídios para o aprofundamento da consagração religiosa.
  3. Olham com gratidão a estes anos e reconhecem o testemunho de tantos religiosos que viveram seu sofrimento com coragem, que ficaram ao lado dos confrades enfermos, nas provações da vida e nas dificuldades pastorais. Junto a eles, muitos vivem com alegria e esperança a colaboração entre as diversas realidades da Ordem, o compromisso na formação, a abertura ao impulso missionário, a presença entre os jovens e a partilha com os leigos do carisma e da espiritualidade agostiniana.
  4. Agradecem a Providência divina que se manifesta na generosidade de muitos amigos e benfeitores que participam da nossa missão na Igreja com a oração, a colaboração e a ajuda material.

Verificar

São tantos os temas que questionam a vida consagrada em geral e, em particular, a nossa Ordem. Eles foram bem frisados nos relatórios dos Superiores maiores, dos Vogais e nas contribuições que os Religiosos enviaram diretamente ao Capítulo, como também no ‘Instrumentum laboris’.

Os Vogais do 78º Capítulo Geral realçam que, embora exista o desejo de fidelidade à vida consagrada, não são poucos os desafios e as dificuldades presentes na realidade da Ordem.

  1. A clericalização é um dos perigos que ameaçam o projeto de consagração. Enfatiza-se demasiadamente a vocação sacerdotal em detrimento da consagração religiosa, a tal ponto de se acreditar numa errada convicção de que sem a ordenação presbiteral o religioso é, por assim dizer, incompleto; e que, portanto, a profissão solene dos conselhos evangélicos é considerada não mais uma meta, mas simplesmente uma passagem transitória obrigatória para chegar ao presbiterado.
  2. Embora falte uma preparação específica aos formadores, percebe-se o desejo de crescer na capacitação formativa, na escolha dos lugares, métodos e instrumentos adequados.
  3. Apesar do desejo de viver melhor nossa identidade de Agostinianos Descalços, deve-se reconhecer que falta um conhecimento mais aprofundado da mesma.
  4. Nossas comunidades, na busca de tornarem-se sinal de unidade na caridade e motor propulsor da revitalização da nossa vida espiritual, comunitária e apostólica, sofrem devido a uma realidade que contrasta este ideal. O individualismo, o número reduzido dos membros nas comunidades, o excesso de compromisso pastoral e de gestão dos bens, a falta de prudência e sabedoria no uso dos meios de comunicação social, a superficialidade em viver a vida de oração, tornam a vida comum frágil e incapaz de responder ao desejo mais profundo de autenticidade de seus membros.
  5. O compromisso pastoral de nossos religiosos é louvável, mas não raramente marcado por personalismos e pela carência de valores agostinianos.
  6. A missão não é um elemento em acréscimo, embora necessário, à consagração, mas é uma sua dimensão constitutiva essencial. Não se pode ser consagrados de verdade senão sendo missionários. Apesar das dificuldades de enculturação (língua, costumes e tradições) lançamo-nos para novas realidades e enfrentamos também na Europa o desafio da missão numa sociedade secularizada.
  7. A atividade de promoção vocacional produziu seus frutos, permitindo crescer numericamente, apesar dos abandonos.
  8. A respeito da Cúria Geral almeja-se uma maior presença, atividade e guia da Ordem.

Programar

Não bastam as piedosas recomendações, mas precisa-se de líneas-guias fortes que deem um grande respiro espiritual, pastoral, eclesial, agostiniano, que sejam corajosas e capazes de devolver confiança aos confrades, reacender nos seus corações o sentido de pertença à Ordem e faze-los sentir a alegria de serem Agostinianos Descalços frente a um amanhã que está adiante para continuar escrevendo a história, após o caminho já percorrido de 425 anos.

Os Vogais do 78º Capítulo Geral convidam os confrades a se colocarem sempre numa visão de fé para repartir de Cristo, ao qual devemos nos assemelhar. Reafirmam que as Constituições são as normas comuns de vida, que devemos conhecer e amar mais. Esta é a melhor maneira de concretizar o desejo de fidelidade e vencer os desafios e as dificuldades do momento presente.

  1. Esclarecer ao longo da formação, inicial e permanente, a essência da consagração religiosa agostiniana, aprofundando o estudo dos documentos da Igreja sobre a Vida consagrada e das fontes da nossa história e espiritualidade, para melhor compreender que profissão dos conselhos evangélicos e ordenação presbiteral são duas distintas vocações, duas específicas consagrações e duas peculiares missões, que devem convergir harmonicamente.
  2. Para favorecer uma proposta formativa mais adequada é importante: tomar consciência de que a comunidade, testemunha de vida agostiniana descalça, é o primeiro sujeito formativo; qualificar melhor os formadores com a participação a cursos de especialização; promover encontros entre os formadores em todos os níveis da Ordem; redigir a ‘Ratio Institutionis’; incentivar a missão do ‘Studentato Internazionale Fra Luigi Chmel’ de Roma; valorizar a pastoral juvenil.
  3. Para conhecer e viver melhor a identidade de Agostinianos Descalços propõe-se: a leitura das obras do S. P. Agostinho; a tradução dos textos próprios da nossa história e espiritualidade; o aprofundamento das Constituições e do Diretório; o estudo e o uso do Ritual; um melhor conhecimento dos nossos Veneráveis para difundir sua devoção.
  4. Um modelo concreto de comunidade agostiniana cultiva os valores oferecidos pela Regra do S. P. Agostinho e por nossa Tradição. Para construir e revitalizar o quotidiano de nossas comunidades propõe-se: dar prioridade à vida comum, visando a partilha de vida e de fé; cultivar a vida de oração; celebrar regularmente o capítulo da casa e as práticas comunitárias propostas por nosso Ritual; cuidar dos relacionamentos pessoais; ter coragem da correção fraterna.
  5. Conscientes de que nossa vida apostólica deve concretizar o desejo do S. P. Agostinho de estender a caridade ao mundo inteiro porque no mundo inteiro encontram-se os membros do Corpo de Cristo (cfr. Com. 1Jo 10,8), propõe-se: planejar e realizar comunitariamente o serviço pastoral; transmitir o gosto da vida comum nas atividades apostólicas; difundir a espiritualidade agostiniana nas realidades pastorais a nós confiadas; valorizar os nossos religiosos ao promover cursos e atualizações; promover a Terceira Ordem e os outros grupos agostinianos segundo as normas e as diretrizes.
  6. Para manter vivo nosso espírito missionário propõe-se: cultivar desde a formação inicial a espiritualidade missionária; programar juntos o projeto missionário, envolvendo as diversas realidades da Ordem.
  7. Para um crescimento também qualitativo e limitar as desistências propõe-se: que a comunidade toda seja promotora vocacional com um testemunho autêntico; que no apostolado dê-se prioridade ao cuidado para com as vocações; que se sigam práxis responsáveis no discernir e acolher os candidatos e acompanhar especialmente os jovens religiosos e sacerdotes.
  8. Para tornar a Cúria Geral mais dinâmica e eficaz em seu papel de comunidade guia da Ordem propõe-se à mesma: prover um projeto editorial e redacional atualizado da revista “Presenza Agostiniana” e do site institucional; promover a redação da ‘Ratio Institutionis’; proceder à revisão do Ritual e à sua definitiva aprovação; cuidar da tradução das fontes e da documentação corrente; emanar normas de secretaria e de arquivo. Se for oportuno, chamar religiosos preparados das comunidades da Ordem para os encargos que se fizerem necessários.

Revisar

A estabilidade das leis é coisa muito importante.

Os Vogais do 78º Capítulo Geral, não realizaram um trabalho de mudança, mas sim de revisão do atual texto das Constituições e do Diretório; julgam porém, não ter exaurido o trabalho e por este motivo desejam:

  1. Que o texto revisado seja enviado o quanto antes à Santa Sé para a aprovação;
  2. Que se faça a tradução do texto aprovado pela Santa Sé nas línguas em uso na Ordem;
  3. Que se promova o estudo das partes não revisadas: Parte III, Secção VI Administração dos bens; Parte IV, Correção fraterna, Tutela das leis, Separação da Ordem;
  4. Que se celebre no terceiro ano do sexênio um Capítulo Geral extraordinário para a inserção definitiva do texto já revisado e para a revisão das partes que faltam.

Concluindo Os Vogais do 78º Capítulo Geral convidam os confrades à alegria, como nos lembrou Papa Francisco na Carta aos Consagrados: «Onde estão os religiosos existe alegria. Somos chamados a experimentar e mostrar que Deus é capaz de preencher nosso coração e de tornar-nos felizes, sem precisar buscar nossa felicidade em outro lugar… Que entre nós não haja rostos tristes, pessoas descontentes e insatisfeitas, porque “uma sequela triste é uma triste sequela”» (LaC, II,1).

Convidam a renovar a confiança naquele que nos chamou à consagração na Família dos Agostinianos Descalços, como rezamos em preparação ao Capítulo: «Agora te suplicamos de continuar a vigiar sobre cada um de nós e sobre toda a nossa Ordem fortemente questionada, como todas as realidades eclesiais e sociais, por novos insidiosos desafios que visam corroer por dentro a vida consagrada. Devolve-nos o frescor agostiniano da radicalidade e da profecia das origens, no centro da qual está a pessoa de Jesus, pobre, casto, obediente, humilde e está a Igreja, a mãe que gera os mosteiros. E está também Maria, a primeira Consagrada, a Mãe que alimenta com delicados afetos a vida do coração e faz da comunidade uma família (…) Nós o pedimos por intercessão da Virgem Mãe da Consolação, do S. P. Agostinho e de nossos Veneráveis Confrades. Amém».

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