† Frei Angelo Possidio Carú

de Jesus Crucificado


Breve biografia
Em 2018 os Agostinianos Descalços completam 70 anos de presença no Brasil. Nosso calendário anual apresenta um pouco da vida de Frei Angelo, os lugares onde trabalhou, suas virtudes como religioso e sacerdote, destacando alguns testemunhos de pessoas que conviveram com ele. No Rio de Janeiro é conhecido como Frei Possidio. Ele está sepultado na capela dos Agostinianos Descalços no Cemitério Municipal de Ampére (PR)


Datas significativas

Nascimento – 17/02/1925, filho de João José Carú e Josefina Macchi.
Batismo – 28/02/1925.
Crisma: 9/10/1932.
Primeira Comunhão: 1933.
Ingresso no seminário – 31/12/1940.
Vestição Religiosa – 26/09/1942.
Profissão Simples – 10/11/1943.
Profissão Solene – 24/12/1946.
Ordenação Diaconal – 23/12/1950.
Ordenação Presbiteral – 24/03/1951.
Chegada ao Brasil – 1/4/1966.
Falecimento – 23/5/1995.


Estudos


Serviços prestados à Ordem/Igreja

Superior delegado (1991-1995), Delegação dos Agostinianos Descalços no Brasil.
Mestre dos professos (1993-1995), Seminário Santa Mônica, Toledo (PR).
Mestre dos noviços (1964-1966), Convento dell’Itria, Marsala – Itália.
Mestre dos seminaristas (1951-1961), Seminário de Scoffera.
Mestre dos seminaristas (1961-1964), Convento della Madonnetta, Genova – Itália.
Vice mestre dos seminaristas (1976-1979), Seminário Santo Agostinho, Ampére (PR).
Pároco (1980-1988), Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Salto do Lontra (PR).
Pároco (1988-1995), Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Ouro Verde d’Oeste (PR).
Vigário paroquial (1966-1968; 1973-1976), Paróquia Santa Rita, Ramos/Rio de Janeiro (RJ).
Vigário paroquial (1968-1973), Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Bom Jardim (RJ).


1. Frei Angelo na Itália

Desde os primeiros anos do seu sacerdócio Frei Angelo trabalhou em prol das vocações. Na Itália foi mestre dos seminaristas em Scoffera (1951-1961) e em Genova (1961-1964); foi mestre dos noviços em Marsala (1964-1966). Aos 18 de março de 1966 partiu para o Brasil. Sua grande paixão foi sempre as vocações religiosas e sacerdotais. Também sua irmã é freira das irmãs da Caridade da Santa Cruz. Destacamos um testemunho de um de seus seminaristas da época, que depois foi superior geral de 1987-1999.

Frei Angelo queria nos convencer a fazer com o mesmo ardor e entusiasmo o que ele fazia; queria a todo custo, nos levar a amar totalmente Jesus e Maria, a nossa vocação de Agostinianos Descalços e sacerdotes da Igreja. O seu amor por nós era feito de gestos simples e convincentes, de palavras essenciais e repetidas várias vezes. Não era – e não queria parecer – um educador formado nos textos de pedagogia e psicologia; nos ensinava simplesmente aquilo que ele, por primeiro, acreditava e vivia. Éramos fortemente convencidos da sua integridade de homem, religioso e sacerdote. Nunca o encontramos em atitude de “relax”. De resto, nem sabia o que fosse recreação, pois tinha o hábito de utilizar todo 0 tempo disponível em atividade de proveito para a casa: cozinha, limpezas, horta, etc. O seu dia era extremamente metódico, cada momento guiado pelo seu “horário pessoal”, que enriquecia sempre com momentos de oração e de vida interior. Costumava também escrever um diário no qual registrava as suas impressões sobre fatos e pessoas: mas não foi encontrado entre os seus papéis. Evidentemente queria que tudo fosse protegido com reserva absoluta. A sua espiritualidade era muito simples e profunda, nem rígida nem desleixada. Rezava sempre, sobretudo diante do Sacrário e com o rosário na mão: dali tirava a força vital para as suas atividades apostólicas. Mas sustentava o seu espírito também com o hábito de verdadeira penitência corporal, que abraçava com todos os cinco sentidos. Em resumo, queria ser todo de Cristo crucificado e assemelhar-se a Ele na humildade, obediência, desapegado de tudo e de todos, espírito de sacrifício e de oblação (Frei Eugênio Cavallari).

2. Frei Angelo em Ramos/Rio de Janeiro (RJ)

Frei Angelo trabalhou em Ramos/Rio de Janeiro (RJ) os períodos de 1966-68 e 1973-76. Em todos os lugares onde trabalhou tinha um carinho todo especial pelos doentes. Destacamos deste período o depoimento de um casal que conviveu com ele, Orlandino e Lucy Bacacorso. Orlandino foi seu afilhado de crisma.

Agradecemos a especial deferência para conosco nesta singela homenagem que a Ordem dos Agostinianos Descalços presta ao nosso querido e inesquecível Frei Possídio (Angelo). Com muito carinho, vai nossa pequena contribuição. (…) Por ele tenho muita gratidão e carinho pois sempre que podia visitava meus pais e rezava com eles. Era sempre uma visita prazerosa para todos nós, pois tratava-se de um Anjo que o Senhor enviava à nossa família. Meus pais lhe queriam muito bem. Quando minha mãezinha adoeceu ele se fez mais frequente em suas visitas, com orações e bênçãos. De volta para a Igreja, no caminho, visitava doentes da comunidade de Nossa Senhora Aparecida da Praia de Ramos. Preferia ir a pé e não aceitava que eu o levasse. Era muito rápido e dizia: Vou a pé e chego logo. (…) Por seu grande coração era difícil qualquer pessoa presentear Frei Possídio, pois seus presentes iam sempre para os necessitados. Dar para receber, costumava dizer. Lembramo-nos do único presente com que ele ficou: foram os livros da Liturgia das Horas, até porque fizemos uma dedicatória. Seu testemunho permanece vivo no nosso meio e na comunidade. Temos certeza de quelá no céu nunca deixará de interceder pelos numerosos amigos que aqui deixou. Jamais esquecerei meu padrinho! Vi nele um sacerdote santo, fazendo sempre o bem, ajudando a todos e, principalmente, os carentes, como Jesus pede em seu Evangelho. A Ordem dos Agostinianos Descalços tem no céu mais um santo para interceder a Deus por ela. O lema de Frei Possídio a ser seguido por todos nós é: Dar para receber. Fazer para ter. Ir para conseguir (Lucy e Orlandino Bocacorso).

3. Frei Angelo em Bom Jardim (RJ)

Frei Angelo trabalhou em Bom Jardim (RJ) de 1968-1973. Com muita dedicação ajudava os demais religiosos em tudo o que lhe era pedido. Seu desapego sempre foi sua marca registrada. Destacamos um depoimento de um casal que conviveu com ele neste período.

Receamos não citar todos os predicados do Frei Possídio (Angelo), pois foi um homem que viveu, literalmente, à luz do Evangelho que pregava, testemunhando a sua fé de tantas formas. Era extremamente humilde e de coração puro. Viveu a pobreza conforme os votos e obedeceu fielmente a sua consciência, não se deixando, jamais, tentar pelos prazeres do conforto que o mundo oferece e até privando-se da boa mesa e do agasalho. Não conheceu a vaidade e a cobiça. Nada era seu, tudo era para os outros, sendo capaz de doar até seus pertences. Seu semblante era suave e transparente como a sua alma. Nunca mediu esforços para o trabalho em favor dos pobres e dos vocacionados. Sua luz tocava os seus colaboradores e benfeitores, e muitos se converteram. Foi extremamente contrário às crendices populares, não por mera oposição, mas para que o Cristo fosse conhecido e amado por todos. Sempre buscou a intercessão da Virgem Maria e incentivou a devoção a ela. Seu exemplo de  santidade e fidelidade à Igreja ficará sempre na memória dos que o conheceram (Adalton e Ângela Carriello).

4. Frei Angelo em Ampére (PR)

Frei Angelo, juntamente com Frei Antônio Desideri, começaram a  trabalhar em Ampére (PR) no dia 14 de março de 1976. Já no ano seguinte deu-se início à construção do Seminário, que segundo o próprio Frei Angelo seria o coração da Ordem no Brasil. Em fevereiro de 1978 o seminário abriu | as portas ao primeiro grupo de seminaristas. Destacamos o testemunho do atual prior provincial, que conviveu vários anos com Frei Angelo.

Ingressei no seminário de Ampére em 1982. Conheci muito bem Frei Angelo. Lembro-me quando vinha do Salto do Lontra, onde era pároco. Chegava com seu fusca abarrotado de mantimentos dos mais variados tipos: mandioca, batata, feijão, frutas, frango, até porco, etc. Grande era sua preocupação em ajudar a manter o seminário, naquela época, com aproximadamente 50 seminaristas. Após descarregar o fusca colocava um calção e ia trabalhar na roça conosco. Caminhava pelo seminário sempre nos orientando a aproveitar o tempo, não podia ver ninguém parado. No refeitório percorria as mesas para ver se ninguém tinha sobrado nada no prato; ele dizia que a comida é dom de Deus, e muitas famílias com sacrifício nos ajudavam, não queria que ninguém desperdiçasse nem um grão de arroz. Todo tempo livre que ele tinha ficava na capela com seu livro de oração na mão. Sua postura na capela era sempre piedosa. Fazia a genuflexão dobrando o joelho até o chão, com o corpo reto e (3 as mãos postas, de maneira perfeita; e nos ensinava a fazer o mesmo. Confidenciou-me uma vez, quando eu era estudante no Rio de janeiro, que nunca tinha feito nenhum pecado grave contra a castidade e a pureza do coração. Quando voltava do Rio de Janeiro, enfrentando 20 horas de ônibus, seu alimento era apenas algumas bananas e dois ou três pães franceses; não gastava nada para si, era totalmente desapegado dos bens deste mundo; como falou Dom Agostinho: pobre no vestir, pobre no comer, pobre por opção (Frei Vilmar Potrick).

5. Frei Angelo em Salto do Lontra (PR)

O Frei Angelo celebrou a primeira missa como pároco em Salto do Lontra (PR) aos 03 de maio de 1980 como ele próprio relata no Livro Tombo: 3 de maio de 1980 – O Frei Angelo às 17h celebrava a sua primeira S. Missa, como Pároco, na Paróquia do Salto do Lontra, iniciando assim o seu apostolado aqui com a bênção do Sr. Bispo DiocesanoDois anos depois iniciou a construção da atual igreja matriz: 24 de maio de 1982 – Hoje inicia os trabalhos da construção da nova matriz aqui no Salto do Lontra. Na celebração da S. Missa se fez particular pedido e pela obra da construir e pela proteção dos trabalhadoresForam anos de intensas atividades apostólicas. Por exemplo: 20 de setembro 1983 – Fui na comunidade de São Pio X para a bênção das casas iniciei às 8h30 da manhã e fui acabando às 21h30 da noite, passando em 86 famílias. A impressão foi de uma comunidade boa, pobre, humildeAssim ele fez em tantas outras comunidades. Neste período (7 anos e 10 meses) foram realizados aproximadamente  3570 batizados, 2904 primeiras comunhões, 1194 casamentos e 2198 crismas. Muitas foram as capelas construídas, os barracões, as comunidades novas em escolinhas e uma nova capela na cidade. Uma das celebrações que com certeza mais agradou o Frei Angelo foi: 1 de fevereiro de 1987 – vestição do hábito religioso a 17 seminaristas agostinianos… Suas últimas linhas registradas no livro Tombo: 3 de março de 1988 – Hoje à tarde acabou a visita programada a todas as comunidades e escolinhas da paróquia. O tempo permitiu completar todo o roteiro. O povo em geral participou numeroso testemunhando o carinho e a saudade do povo. Vários presentes o padre ganhou do povo em geral… Os trabalhos da nova matriz estão continuando… Deixo a paróquia depois de 7 anos e 10 meses agradecendo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida por tudo aquilo que conseguiu-se realizar para a glória de Deus e o bem do povo. Deo Gratia et Mariae (Frei Angelo Carú, oad).


6. Frei Angelo em Toledo (PR)

Frei Angelo morou em Toledo (PR) de 1988-1995. Neste período exerceu várias funções: Pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida de Ouro Verde do Oeste (PR); Mestre dos professos; Prior da comunidade e Superior Regional da delegação brasileira. Aos 03 de outubro de 1982 Frei Angelo foi para Itália para fazer uma arrecadação.

Seu testemunho de religioso e sacerdote foi verdadeiramente exemplar: Como Agostiniano Descalço escolheu pertencer tudo a Jesus Crucificado, querendo conformar-se a Ele na humildade, na obediência, na pobreza, na oblação perfeita de si; como sacerdote empregava suas energias para “fazer-se tudo a todos” pela salvação das almas. Este foi seu constante ideal e programa de vida. Todos ficavam admirados pela sua simplicidade, sua piedade, seu fervor, sendo levados a amar Jesus e Maria. Venerava particularmente Nossa Senhora como mãe sob o título de Nossa Senhora Aparecida. Na vida de comunidade era exemplar: escolhia sempre o último lugar e os trabalhos mais pesados, dando tudo de si para o bem da casa e da Ordem. Era muito chegado aos confrades, em particular aos doentes e pessoas de idade, amava como pai os seminaristas, noviços e clérigos. Tinha seu jeito de apreciar as pessoas, desconhecia a crítica, o desânimo e a vida cômoda. Era assíduo no trabalho pelas vocações e pela formação dos aspirantes à vida religiosa. Pela construção das cinco casas de formação no Brasil contribuiu estendendo a mão com humildade junto de confrades, amigos e benfeitores: suas férias na Itália acabavam servindo somente para esse fim. Incansável em prestar socorro onde houvesse necessidade, visitava continuamente as casas da Delegação, buscando a maneira de fazer sempre novo apostolado humilde e silencioso. Era um homem de Deus, vivendo sempre na oração e devotado para o bem das almas (Necrológio de Frei Angelo).

7. Frei Angelo em Ouro Verde d’Oeste (PR)

Frei Angelofoi pároco de Ouro Verde do Oeste (PR) por mais de 7 anos, desde o início de 1988, como ele mesmo escreve no livro tombo: Aos 14 dias do mês de fevereiro, do ano mariano de 1988, tomei posse na paróquia Nossa Senhora Aparecida, na presença do Sr. Bispo Diocesano Dom Lúcio Ignácio Baungartner, demais sacerdotes e do povo da comunidade cristã de Ouro Verde. Seu último dia como pároco de Ouro Verde foi dia 23 de maio de 1995, quando voltou para casa do Pai. Frei Angelo deu continuidade ao projeto da construção da torre da igreja matriz: 10 de abril de 1988 – Inicia-se neste mês a construção da nova torre da igreja matriz. Será um monumento de fé e união da comunidade e uma lembrança perene do ano mariano que estamos celebrando. Será também uma lembrança viva do amor, da dedicação do Frei Luis Bernetti que guiou a paróquia com sabedoria e amor por cinco anos. A torre foi inaugurada no dia 24 de julho de 1988, durante a festa de São Cristóvão. Enquanto era pároco de Ouro Verde Frei Angelo ajudava no Seminário Santa Mônica de Toledo, sendo Mestre dos professos e também superior regional do Brasil. Neste período foram realizados 1063 batizados, 786 primeiras comunhões, 932 crismas e 327 casamentos. O poder público de Ouro Verde d’Oeste, homenageou 0 Frei Angelo, colocando o seu nome em um bairro da cidade.


8. Frei Angelo em Nova Londrina (PR)

Frei Angelo não morou em Nova Londrina (PR), mas muito trabalhou para ajudar a construir aquele seminário e como Superior do Brasil (1991-1995), fez muitas visitas àquela comunidade, que por muitos anos foi sede de noviciado aqui no Brasil. Os Agostinianos Descalços marcaram presença naquela comunidade desde a chegada do Frei Vicente Mario Sorce em 1978. Em 1993 se instalou na cidade a primeira turma de noviços na casa paroquial. No ano seguinte já foi inaugurado o novo seminário.

Padres Agostinianos Descalços, eu recebi uma graça, eu Jaci Ferreira Marcondes, fiquei muito feliz e curada e já fazem três anos [2014]. Uma graça do Frei Angelo Possidio Carú de Jesus Crucificado, Agostiniano Descalço. Hoje fazem 19 dias que estava sofrendo muito com uma gripe e tosse que não estava mais aguentando, corri e rezei a novena e pedi a minha cura, daquela hora eu só fui melhorando. Quero de novo receber mais uma graça. Se Deus quiser eu vou ficar curada. Senhores padres peço que rezem muito por mim porque estou sempre doente e sou uma filha de Deus, moro aqui em Nova Londrina, na rua Amazonas 152 no conjunto João Paulo II. Eu Jaci Ferreira Marcondes. Deus lhes abençoe.

9. Frei Angelo e a devoção à Virgem Maria

Ambos os Bispos, de Toledo e de Palmas, por ocasião do funeral do Frei Ângelo, salientaram a devoção dele pela Virgem Maria, lembrando que ele sempre encerrava as celebrações com o canto Dai-nos a bênção, ó mãe querida, Nossa Senhora Aparecida. Dom Agostinho, de Palmas, foi ainda mais enfático ao dizer: …creio que ele mantinha colóquios espirituais com a Virgem, por causa do modo que lhe era devoto. Em suas viagens, com seu fusquinha, de Ampére a Toledo, de Toledo a Nova Londrina nunca se contentava em rezar apenas um terço, seguidos de cânticos dedicados a Nossa Senhora, é o que testemunham todos os que viajavam com ele.


10. Frei Angelo, um missionário incansável

Dom Clemente José Carlos Isnard, Bispo Emérito de Nova Friburgo (RJ), na visita pastoral que fez na paróquia de Santa Rita de Euclidelândia, depois que Frei Angelo tinha saído há muito tempo disse a um religioso da Ordem: Frei Angelo foi um verdadeiro missionário. Ainda se percebe em todas as comunidades da paróquia as marcas de sua
presença.

Sobre sua alma missionária testemunha Frei Eugênio Cavallari, Prior Geral de 1987 a 1999: A sua decisão de partir para o Brasil era de fato em consonância com o endereço pastoral e espiritual de sua vida. Ele era um missionário nato, feito para as situações “de fronteira”, para abrir novos horizontes e novos espaços para nossa Ordem.

Dom Agostinho falando do Frei Angelo elogiou o seu zelo apostólico consciente das necessidades da Igreja que iria dar início a uma nova missão no longínquo Mato Grosso, onde seu zelo missionário e apostólico fez sentir a falta de sacerdotes.

Naquela época não foi possível realizar este sonho. No dia 06 de fevereiro de 2011, Dom Gentil de Lazari, da Diocese de Sinop, acolheu os Agostinianos Descalços em sua Diocese, entregando-nos a Paróquia Papa João XXXIII de Colíder (MT). Realizamos assim, depois de 16 anos, o sonho missionário do Frei Angelo. Em 2016 assumimos outra paróquia em Nova Ubiratã (MT). Já tivemos três ordenações no Mato Grosso: Frei Marcos Mezzalira, Frei Salésio Kriger e Frei Luiz Tirloni.


11. Frei Angelo, nosso querido avô

Nos últimos anos da vida do Frei Angelo nós o chamávamos carinhosamente de avô. De fato ele se questionava: Será
possível que vamos morrer sem deixar filhos e netos? Convidava, insistia, buscava em casa. Nada era empecilho para ele conquistar uma vocação. Muitos testemunham que sua vocação nasceu após o convite do Frei Angelo. Com seu entusiasmo, também foi o motivo da perseverança de muitos. Sua maior alegria nesta terra era participar das ordenações sacerdotais. A primeira delas foi do Frei Moacir Chiodi, depois do Frei Álvaro Antônio Agazzi, do qual reportamos aqui o testemunho vocacional. Outras ordenações se seguiram: Frei Gilmar, Frei Edecir, Frei Jurandir…

No início de 1980 meu pai e meu irmão, junto com meu tio e um primo, foram visitar os avós em Salto do Lontra, na Linha Carmélia. De volta para casa, o fusca furou um pneu. Enquanto faziam a troca, chegou um senhor desconhecido, de fusca também, oferecendo sua ajuda. O pai e o tio então perguntaram de onde vinha; ele se apresentou dizendo que era Frei Angelo e trabalhava no Seminário de Ampére. E já aproveitou, do seu jeito, para perguntar aos dois rapazes (Adilson, meu primo e Romildo, meu irmão): vocês dois já pensaram em ser Padre? Os dois se assustaram até porque nunca tinham ouvido falar em Seminário. Frei Ângelo pediu o endereço para fazer uma visita à nossa família. O que aconteceu uns dias depois. Chegou, almoçou e ficou muito contente ao ver os 10 filhos homens do Sr. Anilo e Dona Angelina, todos sentados, tímidos e envergonhados apesar da idade. Lançou novamente a mesma pergunta: será que dos dez só o Romildo quer ir para o Seminário? Eu timidamente levantei o braço. Pediu-me, então, que me sintonizasse com a Rádio Ampére, na quinta-feira, às 12h15 e escutasse o programa “A voz do Seminário”, para ficar sabendo se teria ainda vaga para ingressar naquele ano. Fiquei ansioso até receber a notícia positiva, que me deixou contente e aos 28 de fevereiro de 1980, entrei no seminário” (Frei Álvaro Antônio Agazzi).

12. Frei Angelo, o amigo dos pobres

Com Certeza Frei Angelo sentiu grande alegria ao estar com o Papa João Paulo II, por ocasião dos 400 anos de história dos Agostinianos Descalços em 1992. Tamanha alegria sentia também quando podia ajudar os pobres conforme nos conta Dom Luis Bernetti, confrade e grande amigo do Frei Angelo.

Como sacerdote, era o nosso Frei Angelo. Indiscutivelmente exerceu seu ministério, santificando o povo de Deus. Com pequenos gestos, como ficar na porta da Igreja cumprimentando os adultos e brincando com as crianças, ou repartindo seu alimento com as crianças da rua, ele edificava 0 seu rebanho. O entusiasmo ao celebrar a Santa Missa, ele fazia com que os fiéis se empolgassem, e os incrédulos, no mínimo se questionassem… Por isso quero apenas lembrar alguns episódios que poderia chamar Fioretti do Frei Angelo: Bom Jardim, estado do Rio de Janeiro tempo de inverno, que em Bom Jardim, que está a uma boa altura do nível do mar, o frio se faz sentir bem, sobretudo na madrugada e nas primas horas do dia. O meu quarto ficava na frete do único banheiro da casa. Senti quando o Frei Angelo se levantou, era sempre o primeiro, logo ia na Igreja. Pouco tempo depois de ele ter saído, escutei um barulho, eram os passos dele, mas senti que não estava sozinho, algo estava acontecendo, não levantei para ver, porque o calor dos cobertores falaram mais forte da curiosidade. Mais tarde, na hora do café perguntei: Frei Angelo, que aconteceu hoje de manhã, que você voltou em casa e fez barulho? Não aconteceu nada não, respondeu, mas com um tão de voz que não convencia. Depois disse, quando cheguei na Igreja, encontrei na frente da porta da entrada um mendigo dormindo. O trouxe em casa, dei banho, dei vestes, porque as que usava eram todas rasgadas, e café. Outra vez, Frei Angelo foi visitar o padre André Boaventura pároco de Cordeiro. Este padre tinha recebido algumas caixas de remédios e nas caixas com os remédios havia também outras coisas e algumas camisas. O padre deu de presente uma bela camisa ao Frei Angelo que a recebeu com muito prazer e agradeceu. No caminho de volta, encontrou um casal de velhinhos a pé, parou perguntou onde iam e deu carona, na hora de deixá-los pegou a camisa e a deu ao velhinho (Dom Frei Luís Vincenzo Bernetti).

Breve biografia de frei Angelo…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *